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Entre janeiro e agosto de 2026, o avanço do diabetes na Paraíba resultou em 1.198 mortes, de acordo com dados oficiais da Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB). Esse índice representa uma média alarmante de quase cinco óbitos diários no estado. O cenário reflete o impacto silencioso da doença, que apresentou um aumento de 6,1% nas ocorrências fatais em comparação ao mesmo período do ano anterior.
No mesmo intervalo de 2025, o estado havia contabilizado 1.129 mortes decorrentes da enfermidade. O monitoramento revela que o crescimento real foi de 61 óbitos. A análise detalhada das notificações aponta variações importantes por faixa etária, gênero, regiões geográficas e, principalmente, pelo tipo de diagnóstico da patologia.
Predomínio de mortes por diabetes tipo 2
Os dados da SES-PB indicam que o diabetes tipo 2 foi responsável por 607 óbitos nos primeiros oito meses de 2026. Em contrapartida, o diabetes tipo 1 causou 136 mortes no mesmo período. Essa disparidade evidencia a prevalência do tipo 2, que concentra a imensa maioria dos diagnósticos e costuma evoluir de maneira assintomática.
De acordo com o endocrinologista Mário Coutinho, mais de 90% dos casos da doença são do tipo 2. "O paciente pode passar anos com níveis elevados de glicose no sangue sem apresentar qualquer sintoma evidente", explica o médico. Nesse período, o excesso de açúcar na corrente sanguínea gera inflamações e lesões graves nos vasos.
Perfil das vítimas e distribuição regional
Embora os idosos sejam as principais vítimas, a doença também vitimou pessoas mais jovens. Entre janeiro e maio de 2026, o Ministério da Saúde registrou mortes em diversas faixas etárias na Paraíba, incluindo 12 óbitos de pessoas abaixo dos 60 anos. No recorte por gênero desse período, foram identificadas 351 vítimas do sexo feminino e 309 do sexo masculino.
No cenário do Nordeste, a Paraíba figura entre os cinco estados com maior mortalidade pela doença. A Bahia lidera o ranking regional com 1.895 óbitos, seguida por Pernambuco (1.282), Maranhão (1.073) e Ceará (812). Internamente, a Macrorregião 1, centralizada em João Pessoa, concentrou a maior parte das mortes em território paraibano, com 355 registros.
Riscos do descontrole glicêmico
O diabetes descompensado compromete múltiplos órgãos. O especialista alerta que as principais complicações fatais envolvem infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal crônica. Além disso, infecções severas decorrentes do chamado "pé diabético" e a perda definitiva da visão em adultos figuram como graves consequências do diagnóstico tardio ou da falta de tratamento adequado.
Para evitar complicações, Mário Coutinho recomenda a realização periódica de exames de sangue preventivos, como glicemia de jejum e hemoglobina glicada. A medida é essencial para indivíduos acima de 45 anos ou que apresentem fatores de risco. Sintomas como sede excessiva, micção frequente e cicatrização lenta indicam a necessidade urgente de avaliação médica.
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