A colheita do algodão colorido na variedade verde teve início no reassentamento Acauã, localizado em Itatuba, no Agreste paraibano. A iniciativa pioneira no Brasil faz parte do projeto Algodão Paraíba, promovendo o cultivo agroecológico entre agricultores familiares e garantindo a venda direta da matéria-prima sem intermediários.

Toda a safra é comprada pela empresa espanhola Organic Cotton Colours (OCC), especializada em roupas e tecidos sustentáveis. Como a fibra já nasce com cor natural, a indústria têxtil dispensa o tingimento artificial, o que reduz drasticamente o uso de químicos agressivos ao meio ambiente no processo fabril.

De acordo com Paulo Emílio, gerente regional da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer) em Itabaiana, mais de 70 famílias locais participam da ação. A expectativa é colher aproximadamente 30 toneladas de fibra agroecológica distribuídas em cinco municípios paraibanos.

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Segurança alimentar e trabalho coletivo

O modelo adotado estimula o consórcio de culturas nas lavouras. Ao mesmo tempo em que produzem o algodão, as famílias plantam milho, feijão, fava, gergelim, abóbora e amendoim. Essa diversificação garante alimentos para consumo próprio e gera renda complementar com a venda dos excedentes.

Além da assistência técnica fornecida pela Empaer, os agricultores contam com a venda antecipada das safras. As indústrias compradoras firmam contratos prévios determinando o volume e os preços praticados. Segundo a coordenação do projeto, isso elimina variações de valor e dá segurança financeira aos trabalhadores do campo.

Tecnologia da Embrapa e sustentabilidade

As sementes utilizadas foram desenvolvidas pela Embrapa Algodão, instalada no estado. Entre as opções pesquisadas estão as espécies BRS Rubi, de tom marrom, e a BRS Verde. Ambas as tecnologias expandiram as oportunidades de inserção do estado no mercado internacional, atendendo consumidores focados na sustentabilidade.

Iniciado em 2009 na região de Itabaiana e expandido ao longo dos anos, o projeto se destaca por proibir agrotóxicos e fertilizantes sintéticos. Com a aceitação no mercado europeu, a produção verde reforça a agricultura sustentável e consolida a Paraíba como referência no setor têxtil ecológico.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072