Com o objetivo de promover a saúde infantil e o desenvolvimento sustentável, a Semana Mundial do Aleitamento Materno abre as mobilizações do Agosto Dourado em todo o Brasil para conscientizar a população sobre a importância da amamentação e combater o uso inadequado de fórmulas infantis.

Segundo o Ministério da Saúde, a ampliação do apoio ao aleitamento materno é uma medida decisiva para assegurar a nutrição adequada, fortalecer a segurança alimentar e colaborar na redução da pobreza no país.

Desafios e apoio na rotina materna

A importância do aleitamento é vivenciada na prática por Lorrany Duarte, moradora do Distrito Federal. Após dar à luz sua segunda filha, ela busca manter o aleitamento materno exclusivo e em livre demanda durante os primeiros seis meses de vida da recém-nascida.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

A escolha baseia-se no desejo de proporcionar um desenvolvimento saudável e fortalecer a imunidade da bebê, prevenindo problemas de saúde frequentes na infância.

A determinação atual contrasta com a experiência vivida com a primeira filha, alimentada precocemente com substitutos do leite materno. A mãe relata que a falta do aleitamento exclusivo trouxe maior suscetibilidade a doenças e atrasos no crescimento.

Nesta nova fase, o apoio familiar tem sido fundamental. Com o auxílio e orientação da irmã, que ajuda no manejo e na extração do leite com bomba de sucção, o processo de amamentação tornou-se mais simples e sustentável.

Pressão comercial e fórmulas infantis

Em alerta divulgado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a médica Rossiclei Pinheiro apontou que o assédio comercial das indústrias de alimentos representa um dos principais obstáculos para a continuidade da amamentação.

A especialista enfatiza que o marketing agressivo nas redes sociais, consultórios e hospitais tenta induzir famílias e profissionais a utilizarem ultraprocessados como se fossem substitutos equivalentes ao leite humano.

Critérios rigorosos para a prescrição médica

De acordo com a pediatra, a utilização de substitutos lácteos deve ser restrita a casos específicos, como no diagnóstico de doenças transmissíveis pela amamentação (a exemplo do HIV), alergias graves ou impossibilidade biológica comprovada.

A indicação desses produtos exige avaliação de pediatras ou nutricionistas, combatendo a compra e o consumo sem orientação profissional adequada.

A Sociedade Brasileira de Pediatria reforça a necessidade de capacitar os médicos para o manejo prático de complicações comuns, como dores e fissuras mamilares, evitando a prescrição desnecessária de produtos industriais.

Redução de custos e desenvolvimento

Além dos benefícios biológicos, a promoção do aleitamento humano alinha-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

A prática reduz custos com medicamentos e insumos alimentares, reduz o absenteísmo dos pais no trabalho em razão de enfermidades dos filhos e proporciona maior planejamento para o retorno da mãe à vida profissional.

Proteção legal e legislação brasileira

No Brasil, a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes (NBCAL) e a Lei nº 11.265/2006 proíbem o patrocínio financeiro da indústria a profissionais de saúde e vetam propagandas de mamadeiras, bicos e chupetas.

A legislação restringe também a exibição de imagens de crianças nas embalagens para evitar dúvidas sobre a capacidade materna de amamentar. O uso de bicos artificiais pode causar a confusão de bicos, diminuir o estímulo à produção de leite e provocar o desmame precoce.

Metas de amamentação no país

O Brasil estabeleceu a meta de alcançar 70% de amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida até o ano de 2030, índice superior à diretriz estipulada pela Assembleia Mundial da Saúde.

Dados do Estudo Nacional de Nutrição Infantil (Enani) demonstram um avanço expressivo: o índice de aleitamento exclusivo no país subiu de 4,7% na década de 1980 para 45,8% em 2019.

A evolução contínua reflete a consolidação de políticas públicas interligadas, que utilizam o aleitamento como estratégia direta para diminuir as taxas de mortalidade infantil e materna em todo o território nacional.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072