O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, destacou a conclusão da infraestrutura principal da Transposição do Rio São Francisco e a ampliação das possibilidades de utilização da água para impulsionar o desenvolvimento econômico do Nordeste. As declarações foram feitas durante uma coletiva de imprensa no Centro Cultural Zé do Norte, em Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, após uma visita técnica às obras do Ramal do Apodi, em Uiraúna.

Durante a agenda, o ministro apresentou um panorama da atual fase do Projeto de Integração do Rio São Francisco, com destaque para a expansão da capacidade de vazão, a implantação de novas estruturas de distribuição e a necessidade de garantir uma gestão sustentável dos recursos hídricos.

Infraestrutura principal e testes no Ramal do Apodi

Segundo Waldez Góes, os dois grandes eixos da Transposição do São Francisco, Norte e Leste, além dos canais principais, estão com a infraestrutura física concluída. Ele ressaltou, no entanto, que a conclusão dessa estrutura não significa o encerramento das demandas relacionadas à distribuição da água.

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“Uma coisa é a infraestrutura do São Francisco da transposição: tá 100% concluída, está com seus dois grandes eixos e seus canais. Outra coisa é toda a distribuição dessa água. Vão surgindo projetos novos, adutoras novas, solicitações de ramais novos”, afirmou o ministro.

Antes da coletiva em Cajazeiras, a comitiva realizou uma inspeção técnica no Canal 14 do Ramal do Apodi, em Uiraúna, para acompanhar os testes operacionais de carga e enchimento. Conforme as informações apresentadas no material da agenda, a água já segue em direção ao reservatório de Angicos, enquanto estruturas provisórias são utilizadas para assegurar a passagem das comunidades durante a realização dos testes.

A ampliação da distribuição depende do atendimento a novas demandas por adutoras, redes de abastecimento e ramais, além da avaliação técnica dos projetos apresentados pelos estados e municípios.

Governo prevê aumento gradual da vazão de água

Outro ponto destacado pelo ministro foi o planejamento para ampliar progressivamente a capacidade de fornecimento de água do sistema. A proposta apresentada prevê elevar a vazão de 25 para 50 metros cúbicos por segundo, com perspectivas de alcançar 75 m³/s e, futuramente, até 100 m³/s.

O aumento da disponibilidade hídrica na origem, no Rio São Francisco, pode ampliar as possibilidades de atendimento aos estados receptores e contribuir para reduzir tensões relacionadas à distribuição dos volumes disponíveis.

A expansão, entretanto, exige planejamento e coordenação entre os órgãos responsáveis, considerando a capacidade operacional do sistema e as necessidades de abastecimento das diferentes regiões atendidas.

Água também como instrumento de desenvolvimento econômico

Na avaliação de Waldez Góes, a política de integração hídrica precisa avançar para além do abastecimento humano, incorporando o potencial da água para estimular atividades produtivas e fortalecer a economia regional.

“A ideia lá atrás era o consumo humano e lógico que isso já tá ultrapassado, não é mais só o consumo humano. É o desenvolvimento econômico, é a irrigação, é a piscicultura, é a pequena indústria, é algumas atividades turísticas”, declarou.

A perspectiva apresentada pelo ministro inclui o uso da água na irrigação agrícola, na criação de peixes, no funcionamento de pequenas indústrias e no desenvolvimento de atividades turísticas. Para o Sertão paraibano, a ampliação da oferta hídrica é uma questão estratégica, especialmente diante da necessidade de convivência com os períodos de estiagem.

O ministro também mencionou o surgimento de novas solicitações de infraestrutura hídrica, incluindo estudos para a possível implantação de um ramal destinado ao Piauí.

Gestão integrada busca garantir fornecimento sustentável

A ampliação do uso da água exige, segundo o ministro, uma atuação coordenada entre o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a Secretaria Nacional de Segurança Hídrica e os governos dos estados receptores.

O objetivo é estabelecer critérios técnicos para a concessão de outorgas, instrumento que autoriza o uso de recursos hídricos, de modo que novos empreendimentos tenham condições sustentáveis de funcionamento.

Waldez Góes alertou para a necessidade de evitar autorizações que não considerem a disponibilidade de água em períodos de seca.

“Não pode ter a irresponsabilidade de autorizar, dar outorga para implantar um projeto econômico num ano e no outro não ter água. Então, toda a água que for outorgada e liberada tem que considerar a sustentabilidade perene”, afirmou.

A gestão integrada busca conciliar o abastecimento humano, as demandas dos setores produtivos e a disponibilidade hídrica, reduzindo o risco de interrupções no fornecimento e de conflitos entre os estados.

Transposição entra em nova etapa de planejamento

As declarações feitas em Cajazeiras apontam para uma nova etapa de planejamento da infraestrutura hídrica nordestina, com atenção não apenas à conclusão dos canais principais, mas também à ampliação da capacidade de transporte, à distribuição da água e à criação de condições para seu uso sustentável.

A expansão da vazão e o fortalecimento da governança hídrica estão entre os pontos apresentados pelo ministro como fundamentais para ampliar o alcance do Projeto de Integração do Rio São Francisco.

A efetiva implementação dessas medidas dependerá da execução das etapas técnicas, da articulação entre os governos e da garantia de disponibilidade de água para atender às necessidades da população e às atividades econômicas.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ 4407/PB | API/PB 3072