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A contagem regressiva já começou. Faltando cerca de cem dias para o sesquicentenário de Cajazeiras — marco que celebra os 150 anos da elevação da então vila à condição de cidade — o cenário que se desenha nos bastidores do poder é de silêncio institucional e baixa mobilização política.
Historicamente, datas simbólicas dessa magnitude costumam ser tratadas como oportunidades estratégicas para reforçar identidade cultural, estimular o turismo e reposicionar a cidade no cenário regional. No entanto, em Cajazeiras, o que se observa é uma ausência quase total de planejamento estruturado por parte do poder público e das lideranças políticas locais.
O contraste com o passado é inevitável. No centenário da cidade, as comemorações tiveram forte articulação institucional, com destaque para a atuação de Monsenhor Vicente Freitas, figura respeitada e profundamente ligada à história local. Na ocasião, o evento atingiu seu ápice com uma sessão solene da Câmara Municipal que contou, inclusive, com a presença do então governador Ivan Bichara Sobreira — um indicativo claro do peso político e simbólico da celebração.
Agora, diante de um marco ainda mais expressivo, o que se vê é uma movimentação tímida, quase protocolar. Um grupo reduzido de cajazeirenses articula, de forma independente, a realização de um sarau literário como tentativa de evitar que a data passe completamente despercebida. A iniciativa, embora relevante do ponto de vista cultural, evidencia a lacuna deixada pelo poder público.
A ausência de uma agenda oficial para os 150 anos de Cajazeiras revela mais que desorganização: expõe a desconexão entre gestão pública e preservação da memória coletiva.
Nos Bastidores do Poder, a leitura é clara: há uma falha estratégica na compreensão do valor político e simbólico do sesquicentenário. Em tempos em que cidades disputam visibilidade e investimentos, negligenciar uma data dessa natureza representa não apenas um erro administrativo, mas uma perda de oportunidade institucional.
A Política da Paraíba, especialmente em seus contextos municipais, ainda enfrenta desafios recorrentes na construção de agendas estruturantes que transcendam o calendário eleitoral. O caso de Cajazeiras, neste momento, se torna emblemático ao evidenciar como a falta de planejamento pode comprometer a valorização da própria história.
A poucos dias do marco histórico, resta observar se haverá uma reação tardia das lideranças ou se o sesquicentenário será registrado apenas como mais uma data esquecida na cronologia da cidade.
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