A corrida eleitoral para o Senado Federal já começa a produzir efeitos visíveis nos bastidores da Política da Paraíba. Após deixar o comando do Governo do Estado e transferir a gestão para o vice-governador Lucas Ribeiro, João Azevêdo passou a concentrar esforços na construção de sua candidatura ao Senado em 2026.

O movimento, considerado estratégico dentro do grupo governista, abriu oficialmente uma nova fase política no estado. Fora da estrutura administrativa direta do Palácio da Redenção, João agora percorre municípios, amplia agendas públicas e intensifica contatos com prefeitos, lideranças regionais e bases políticas em busca de sustentação para o novo projeto eleitoral.

No entanto, o cenário encontrado pelo ex-governador já demonstra mudanças importantes no tabuleiro político estadual, especialmente no Sertão da Paraíba. A Coluna Política de Wgleysson de Souza vinha antecipando, há meses, sinais de desgaste dentro de parte da base municipal que anteriormente orbitava com forte alinhamento ao governo estadual.

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Entre os movimentos mais observados está o fortalecimento político do prefeito de Patos, Nabor Wanderley, considerado atualmente uma das lideranças de maior influência no interior paraibano. O gestor patoense passou a receber apoios estratégicos de prefeitos e grupos políticos da região, ampliando sua musculatura dentro do cenário estadual e consolidando protagonismo nas articulações para 2026.

Além de Nabor Wanderley, outros gestores também começaram a sinalizar reposicionamentos políticos, entre eles o prefeito de Joca Claudino, Rinaldo; a prefeita de Uiraúna, Leninha Romão; e o prefeito de São João do Rio do Peixe, Luiz Claudino.

Nos bastidores, interlocutores políticos admitem que o ambiente mudou significativamente desde o período em que João Azevêdo exercia o poder administrativo do Estado. Lideranças municipais passaram a avaliar com mais cautela os alinhamentos políticos, observando o novo equilíbrio de forças que começa a surgir no interior paraibano.

Durante recente passagem por Cajazeiras, o ex-governador chamou atenção pelo comportamento mais próximo da população e pela presença reduzida de auxiliares em sua agenda. Circulando de maneira mais simples, cumprimentando populares e concedendo entrevistas à imprensa regional, João demonstrou um perfil diferente daquele observado nos períodos de maior força institucional do governo.

O cenário inevitavelmente alimentou comentários dentro da classe política. Em períodos eleitorais, a dinâmica do poder costuma alterar relações, prioridades e posicionamentos. Prefeitos, deputados e lideranças regionais começam a reorganizar alianças observando não apenas estruturas administrativas, mas também viabilidade eleitoral futura.

Na política, o poder aproxima aliados; fora dele, sobrevivem apenas as alianças realmente consolidadas.

Apesar dos desafios, João Azevêdo ainda mantém forte capital político, presença estadual consolidada e influência administrativa construída ao longo dos últimos anos. Entretanto, aliados reconhecem reservadamente que a disputa pelo Senado exigirá capacidade intensa de articulação e reconstrução política, sobretudo no interior do estado.

Enquanto Lucas Ribeiro assume o protagonismo administrativo do Governo da Paraíba, João Azevêdo entra definitivamente em campo na condição de candidato em busca de apoio, cenário que muda completamente a lógica das relações políticas construídas durante sua gestão.

Nos Bastidores do Poder, a avaliação é de que os próximos meses serão decisivos para medir a capacidade do ex-governador de manter sua competitividade eleitoral diante das novas movimentações políticas que começam a surgir em diversas regiões da Paraíba.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072.