A política, em sua essência, é feita de prioridades. Nos últimos dias, o cenário em Uiraúna evidenciou um contraste gritante entre o brilho das festividades carnavalescas e a poeira — ou lama — que cobre os desafios da zona rural. O foco da análise desta coluna recai sobre o programa de "Corte de Terra", uma das bandeiras históricas de qualquer gestão que busque o apoio do setor agropecuário, mas que hoje parece enfrentar um gargalo operacional crítico.

Durante a campanha eleitoral, a promessa era de uma patrulha mecanizada eficiente, capaz de atender o agricultor no tempo exato da natureza. No entanto, o relato trazido pelo vereador Francisco Alves (Chico) acende um alerta: segundo o parlamentar, a demanda pelo preparo do solo é imediata com a chegada das chuvas, mas o serviço esbarra em tratores quebrados e na falta de assistência pronta ao produtor rural.

 O Contraponto da Gestão e o Fator Clima

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

Em defesa da administração, o presidente da Câmara, Tony Cruz, tentou equilibrar a narrativa. Ele pontuou que o trabalho de aragem já foi iniciado no mês anterior, mas ressaltou uma condicionante técnica: o ponto ideal do solo. Para a gestão, o serviço não pode ser feito com a terra "seca demais ou encharcada demais".

Entretanto, para o olhar atento deste colunista, baseando-se nas cobranças legislativas, a justificativa técnica não apaga a falha logística. Se há tratores quebrados, como denunciado em plenário, o problema deixa de ser climático e passa a ser de manutenção e planejamento preventivo. O agricultor, que depende do ciclo curto das águas para garantir a safra e a subsistência, não possui o mesmo "tempo" que a burocracia municipal.

 Carnaval vs. Campo

A disparidade de energia investida é notável. Enquanto o líder do governo, Joaquim Marcelino, ocupa a tribuna para enaltecer o "Una Frevo" como um dos maiores da história, o setor produtivo rural cobra o básico para trabalhar. A crítica que ecoa nos bastidores é clara: o sucesso de um evento festivo não deve servir de cortina de fumaça para a paralisação de serviços essenciais.

O atual estágio de execução do corte de terra, sob a ótica das cobranças parlamentares, revela um descompasso. A gestão de Leninha Romão precisa provar que a eficiência vista na organização dos palcos e trios elétricos também chega aos motores dos tratores que garantem a economia real do município. O campo tem pressa, e a política de resultados é medida pela terra arada, não apenas pelo confete na avenida.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072.