A arquitetura eleitoral para a Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) em 2026 exige dos pré-candidatos e dirigentes partidários uma leitura desapaixonada da legislação vigente. Nos corredores da Política da Paraíba, um equívoco analítico recorrente precisa ser sanado: o mito da "legenda alta" ou "legenda baixa". Do ponto de vista técnico e jurídico, essa variação não existe. O coeficiente eleitoral é um índice único e universal, calculado a partir da divisão do total de votos válidos pelo número de assentos em disputa — no caso estadual, 36 vagas. Estima-se que, para o próximo pleito, esse número orbite na casa dos 69 mil votos.

Essa rigidez matemática, aliada à consolidação do fim das coligações proporcionais, alterou profundamente a natureza da campanha. O candidato ao legislativo não concorre mais contra adversários de outras siglas, mas trava uma disputa direta com seus próprios colegas de agremiação. O chamado "fogo amigo" torna-se a regra de sobrevivência, uma vez que a conquista da cadeira depende, primordialmente, de ser o mais votado dentro de um partido que consiga, coletivamente, atingir o coeficiente exigido.

As distorções eleitorais geradas por esse sistema encontram vasto lastro na história política recente da Paraíba. Casos emblemáticos, como as expressivas votações de Tião Gomes e de Gobira em pleitos passados, ilustram com clareza o fenômeno: ambos acumularam um volume maciço de sufrágios, mas amargaram a derrota inicial porque suas respectivas legendas não alcançaram o quociente mínimo. Em contrapartida, candidatos com um montante de votos significativamente menor conseguem a diplomação por integrarem chapas que atingiram a meta matemática de forma coletiva.

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Diante desse cenário de alta complexidade interna, a antecipação de cenários através de sondagens quantitativas perde parte de sua eficácia metodológica. Avaliações de analistas que circulam nos Bastidores do Poder, como as pontuadas na Coluna Wgleysson de Souza, indicam que pesquisas para deputado estadual, neste momento, servem apenas como parâmetros difusos de popularidade, não como termômetros de viabilidade eleitoral. O cálculo real, a engenharia de chapas e a definição de quem possui chances concretas de vitória só poderão ser aferidos após o fechamento da janela partidária, em abril do ano eleitoral, quando os quadros estiverem definitivamente acomodados.

A sobrevivência eleitoral no legislativo estadual não se apoia mais em coligações ilusórias ou pesquisas precoces, mas na frieza matemática de um coeficiente único e na capacidade de superar a implacável concorrência interna das próprias siglas.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072.