A recente redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (17), foi amplamente considerada insuficiente por diversas entidades representativas da indústria e dos trabalhadores, incluindo a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Para esses setores, o ajuste nos juros básicos da economia brasileira não é capaz de reverter o cenário de estagnação dos investimentos e não atende às necessidades urgentes do país.

As entidades argumentam que o patamar atual dos juros não consegue reverter o quadro de estagnação dos investimentos e falha em atender às demandas prementes da nação e de sua população.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reiterou que a modesta diminuição não contribui efetivamente para aliviar a asfixia financeira que atinge empresas e famílias brasileiras.

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Ricardo Alban, presidente da CNI, enfatizou que a manutenção de juros reais em níveis tão elevados beneficia diretamente o capital especulativo. Segundo ele, isso inviabiliza os planos de produção e expansão da indústria, ao mesmo tempo em que se mostra ineficaz para aliviar os orçamentos de famílias, empresas e até do governo, que continuam pressionados pelo serviço da dívida. Tal cenário posterga a retomada do consumo e do investimento, dificultando a superação da inadimplência.

A CNI ainda sugere que o Banco Central (BC) tem espaço para intensificar o ciclo de cortes da Selic na próxima reunião, especialmente após o recente acordo entre Estados Unidos e Irã, que sinaliza o fim da guerra.

Alban argumentou que o provável término do conflito já reflete na queda do preço do petróleo, um fator que anteriormente exercia forte pressão sobre os custos das cadeias produtivas globais. Com a remoção desse componente de pressão sobre as expectativas de preços e juros, cria-se um ambiente mais propício para uma flexibilização monetária mais acentuada.

A avaliação da CUT sobre a redução

Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a principal central sindical do país, a redução efetuada é considerada aquém do necessário, falhando em responder às urgentes demandas nacionais. A entidade critica a política monetária do Banco Central, que, em sua visão, desconsidera os sinais positivos da economia brasileira e o alívio no cenário internacional, exemplificado pela recente queda nos preços do petróleo.

Em comunicado, a CUT afirmou que a manutenção dos juros em um patamar "absurdo" continua a sufocar o setor produtivo, elevando o custo do crédito e penalizando diretamente a classe trabalhadora, que arca com os custos da lógica rentista.

A central sindical ainda ressaltou que a diminuição de apenas 0,25 ponto percentual na taxa de juros expõe as limitações e os riscos do modelo atual de autonomia do Banco Central, que, segundo a CUT, mantém o país refém da especulação financeira.

A CUT defende que taxas de juros reais tão elevadas desviam recursos públicos, que poderiam ser destinados à saúde, educação e infraestrutura, para o pagamento da dívida a grandes detentores de capital. A entidade conclui que o desenvolvimento nacional e a criação de empregos de qualidade demandam um corte mais substancial na taxa Selic, e não apenas uma concessão ao mercado.

A visão da CBIC: necessidade de continuidade

Por sua vez, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) considerou a redução da taxa Selic como um passo positivo, porém ressalta a necessidade imperativa de continuidade desse movimento de flexibilização monetária.

De acordo com a entidade, o patamar atual dos juros ainda impõe desafios significativos à atividade econômica e à plena retomada dos investimentos no setor.

Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC, explicou que, embora a continuidade do processo de flexibilização monetária seja um sinal positivo para a economia, a taxa Selic ainda se mantém em um patamar restritivo. Essa condição encarece o crédito, posterga decisões de investimento e, consequentemente, dificulta a obtenção de um crescimento econômico mais robusto e consistente.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072