Espaço para comunicar erros nesta postagem
Uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público da Paraíba desvendou um complexo esquema de corrupção envolvendo policiais civis, que foram presos na semana passada. Os agentes são acusados de participar ativamente do tráfico de drogas, comercializando entorpecentes apreendidos e fornecendo informações cruciais para que criminosos evitassem a Justiça, configurando uma grave quebra de confiança na segurança pública do estado da Paraíba.
As investigações apontam que os policiais atuavam em diversas frentes para beneficiar integrantes de organizações criminosas. Além de negociar substâncias ilícitas diretamente com traficantes, eles supostamente desviavam entorpecentes já apreendidos pela polícia e repassavam dados estratégicos que auxiliavam criminosos a fugir das autoridades.
O grupo suspeito era composto por agentes da lei e traficantes que, segundo os investigadores, mantinham uma relação estreita e de longa data. A operação culminou na prisão dos investigadores Everton Aires, conhecido como "Bomba", e Eduardo Jorge, o "Mão Branca", além do delegado Brás Morrone e outros suspeitos.
O esquema de venda de entorpecentes
O modus operandi do esquema incluía o uso de drogas apreendidas pela própria corporação como fonte de abastecimento para o tráfico. Áudios obtidos durante as apurações indicam que os investigados retiravam entorpecentes que estavam sob custódia da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), em João Pessoa, para revendê-los a criminosos.
As negociações, conforme os investigadores, envolviam substâncias como cocaína, crack e skank. Em uma das conversas interceptadas, os suspeitos discutiam a disponibilidade de drogas armazenadas na delegacia e a urgência em comercializar o material.
As apurações revelaram que os policiais negociavam com diferentes grupos criminosos, sem distinção de facção. Em alguns casos, drogas retiradas de uma organização eram revendidas para membros da mesma facção, enquanto em outros, o material era comercializado para grupos rivais.
Em um dos áudios analisados, um dos suspeitos chegou a afirmar ter encontrado ligação com integrantes do Comando Vermelho, mencionando que o grupo estaria disposto a adquirir toda a droga disponível. Para a polícia, essas conversas demonstram que os investigados tratavam os entorpecentes como mercadoria, mantendo relações comerciais com qualquer criminoso interessado.
Vazamento de informações e apoio a criminosos
O auxílio aos criminosos não se restringia apenas ao fornecimento de drogas. A investigação aponta que os policiais também vazavam informações sobre operações policiais e usavam seus conhecimentos de carreira para ajudar integrantes do crime organizado a evitar prisões.
Criminosos recebiam alertas antecipados sobre ações policiais e orientações que dificultavam o trabalho das forças de segurança. A apuração identificou ainda uma relação próxima entre os investigados e traficantes, com encontros presenciais e registros em fotografias e vídeos publicados nas redes sociais.
Conexão com o "Novo Cangaço"
Entre os criminosos que mantinham contato com o grupo está José Alexandrino Júnior Lira, conhecido como Júnior Lira. Segundo a Polícia Civil, ele é investigado há anos por envolvimento em ataques a bancos e carros-fortes, sendo apontado como integrante do chamado Novo Cangaço.
A polícia afirma que Júnior Lira também atuava no tráfico de drogas e mantinha contato frequente com os policiais investigados. Para os responsáveis pela operação, o caso expõe um dos cenários mais preocupantes para a segurança pública: quando agentes encarregados de combater o crime passam a atuar em benefício de organizações criminosas.
"O fato de serem agentes do Estado dá àquelas pessoas uma sensação de blindagem. É algo muito grave e que precisa ser combatido com toda a força", declarou um dos investigadores responsáveis pelo caso.
As defesas dos acusados
As defesas dos acusados negam veementemente as irregularidades. O advogado de "Bomba" afirmou que o devido processo legal está em curso e que o policial não aceita as acusações.
O advogado de "Mão Branca" declarou que não é crível que policiais possam estar negociando drogas abertamente, sugerindo que o caso pode ser um "assassinato de reputação". Já a defesa de Braz sustenta que não há nada que exponha a participação consciente do delegado nos fatos investigados.
Júnior Lira, o suspeito de integrar o Novo Cangaço, também foi preso, e sua defesa assegura que a "inocência será demonstrada", alegando que ele é "alvo de uma perseguição policial".
/Dê sua opinião
Qual o seu nível de satisfação em relação ao serviço público prestado?
Para participar desta enquete, realize o login em sua conta!
Login Cadastre-seNossas notícias
no celular

PORTAL SERTÃO DA PARAÍBA