Para combater o avanço da desertificação na Paraíba, que já afeta cerca de 20% do território estadual, pesquisadores e agricultores locais desenvolvem soluções sustentáveis no semiárido. A iniciativa busca recuperar solos degradados pelo manejo inadequado e mitigar impactos climáticos na região, unindo a preservação ambiental à geração de renda para comunidades tradicionais.

A gravidade da situação motivou uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB). O órgão cobrou providências urgentes de municípios, do Estado e da União para reverter o cenário. Enquanto as respostas políticas avançam lentamente, a ciência e o saber popular se unem para criar alternativas práticas de sobrevivência e manejo da terra.

Tecnologia e monitoramento no semiárido

O Instituto Nacional do Semiárido (INSA) e a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), em parceria com o Observatório da Caatinga e Desertificação (OCA), preparam o lançamento de uma plataforma digital para novembro. A ferramenta vai unificar dados ambientais para orientar políticas públicas eficazes na região.

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Estudos liderados pelo coordenador do OCA, John Cunha, apontam que a vegetação da Caatinga é altamente eficiente no sequestro de carbono da atmosfera devido ao seu ciclo natural de renovação de folhas. Essa capacidade abre caminho para o mercado de créditos de carbono, tornando a floresta em pé uma fonte de receita.

Entretanto, o pesquisador do INSA, Aldrin Perez, alerta para a desigualdade nesse mercado. Atualmente, empresas intermediárias retêm até 99% dos recursos dos créditos de carbono. Para corrigir essa distorção, o OCA propõe uma certificação pública e participativa com as comunidades locais.

Como resposta, a plataforma Floresta em Pé, Renda Justa ajudará pequenos produtores a calcular o potencial de ganho de suas terras. Segundo a pesquisadora Sabrina Holanda, o objetivo é democratizar o acesso ao mercado de carbono, que costuma ser financeiramente inviável para a agricultura familiar.

Práticas agrícolas de convivência com a seca

No campo, agricultores já colhem resultados de iniciativas próprias. Em São João do Cariri, Diógenes Fernandes utiliza o plantio estratégico para acumular matéria orgânica e regenerar o solo. Já em Soledade, os produtores Sebastião e Marinalva adotaram o reuso de águas cinzas para irrigar mudas e barreiras de pedra contra a erosão.

Essas tecnologias de convivência com a seca contam com apoio do Programa de Aplicação de Tecnologias Apropriadas (Patac), que atua em 12 municípios. No âmbito político, o TCE informou que o Estado apresentou planos de ação, mas 41 municípios ainda descumprem as diretrizes contra a degradação, gerando novos alertas do tribunal.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072