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Investigações na Paraíba revelaram que policiais civis presos recentemente são suspeitos de não apenas comercializar drogas, mas também de acobertar foragidos da Justiça e fornecer dados sigilosos sobre operações policiais a membros do crime organizado. A apuração, conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, resultou na detenção de nove indivíduos, incluindo os investigadores Everton Aires, conhecido como "Bomba", Eduardo Jorge, o "Mão Branca", e o delegado Brás Morrone.
As suspeitas indicam que o grupo criminoso excedia a atuação no tráfico ilícito de entorpecentes. A investigação aponta que os policiais teriam utilizado seu acesso a informações privilegiadas para favorecer criminosos, comprometendo a eficácia das forças de segurança.
Segundo as autoridades, membros da organização alertavam traficantes e outros alvos de ações policiais antes da execução de operações. Essa prática permitia que os criminosos se preparassem para evitar prisões ou apreensões de materiais ilícitos.
Adicionalmente, a polícia alega que foragidos da Justiça recebiam uma forma de proteção por parte do grupo investigado.
Ligação com suspeito do Novo Cangaço
Entre os indivíduos que teriam se beneficiado das informações vazadas estaria José Alexandrino Júnior Lira, conhecido como Júnior Lira. A Polícia Civil o investiga há anos por sua suposta participação em ataques a bancos e carros-fortes na região Nordeste, sendo ele apontado como membro do chamado Novo Cangaço.
As apurações sugerem que, além de envolvimento em crimes contra instituições financeiras, Júnior Lira teria investido os lucros dessas atividades no tráfico de drogas.
Áudios interceptados pelos investigadores revelam negociações que mencionam o nome de Júnior Lira e discutem estratégias para a comercialização de entorpecentes em diversas cidades da Paraíba.
A polícia destacou que a proximidade entre os envolvidos ia além de contatos telefônicos. Encontros presenciais eram frequentes, com registros de fotos e vídeos compartilhados em redes sociais evidenciando a convivência entre os policiais e os criminosos.
Relação próxima e infiltração do crime
Para os responsáveis pela investigação, a naturalidade com que policiais e suspeitos mantinham contato foi um ponto de atenção significativo.
A apuração identificou que os investigados negociavam diretamente com criminosos e compartilhavam informações que deveriam ser restritas às forças de segurança.
O caso é considerado pelos investigadores como um exemplo claro de infiltração do crime organizado nas estruturas estatais.
"O fato de serem agentes do Estado confere a essas pessoas um poder de quem está ali ciente, acreditando realmente que está blindado. É algo muito grave e que precisa ser combatido com toda a força", declarou um dos investigadores responsáveis pela investigação.
Prisões decorrentes de denúncia
A operação que culminou nas prisões foi deflagrada após uma investigação iniciada em maio do ano passado. De acordo com a Polícia Civil, as apurações começaram após um traficante denunciar nas redes sociais o roubo de uma carga de drogas. Segundo a investigação, essa carga teria sido desviada por policiais para posterior revenda.
As defesas dos investigados negam veementemente as acusações. Os advogados argumentam que a inocência de seus clientes será comprovada ao longo do processo e contestam a interpretação dos elementos coletados pela investigação.
O caso continua sob investigação.
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