A sanfona de 8 baixos, instrumento tradicionalmente associado à alma do Nordeste, está passando por um processo de reinvenção que abre novas perspectivas para seu futuro. Luizinho Calixto, um dos principais nomes do fole de 8 baixos, personifica essa renovação, preservando a memória familiar e impulsionando o aprendizado através de um método próprio e de um livro que será lançado em breve.

A trajetória de Luizinho Calixto com o instrumento começou na infância, influenciado pela mãe e pelo irmão mais velho, Zé Calixto. Sua primeira apresentação pública ocorreu aos oito anos em Campina Grande, um prenúncio da carreira que o consagraria como um embaixador do fole de 8 baixos, levando-o a palcos internacionais.

O desafio de popularizar o instrumento é grande, segundo Calixto, que lamenta a escassez de novos instrumentistas. Ele ressalta a importância de manter viva a tradição, que remonta ao seu pai, João de Deus, conhecido como "Dideus", um sanfoneiro respeitado que animava festas e encontros no sertão.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

Luizinho Calixto inovou ao criar o primeiro manual para tocar sanfona de 8 baixos em uma afinação inédita. Esse método, desenvolvido sem formalidades de ensino tradicional, foi apresentado em diversos países, demonstrando a singularidade da afinação nordestina para outras culturas.

Em 2012, um convite da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) marcou um retorno de Luizinho à Paraíba. Lá, ele ministrou oficinas e divulgou sua cartilha, formando novos sanfoneiros e impulsionando o instrumento através da inovação técnica.

O pró-reitor da UEPB na época, Rangel Júnior, destacou a importância da iniciativa para a cultura paraibana, possibilitando que crianças, adultos e idosos aprendessem a tocar o fole de 8 baixos.

Diferente da sanfona comum, o fole de 8 baixos exige um domínio quase artesanal devido à sua menor dimensão e complexidade técnica. Cada movimento do fole altera as notas, permitindo a exploração de diversos ritmos, como bossa nova, bolero e tango, indo além do forró tradicional.

O sanfoneiro pernambucano André Julião, parceiro de palco de Alceu Valença, exemplifica a versatilidade do instrumento ao levá-lo para o frevo. Julião destaca os altos custos associados ao instrumento, que podem ultrapassar cinquenta mil reais, além de despesas com manutenção e transporte.

Apesar dos desafios financeiros e da baixa valorização do mercado, a presença feminina na sanfona vem crescendo. Mulheres como Ana Paula da Silva enfrentam preconceito e buscam reconhecimento em um ambiente historicamente dominado por homens.

Ana Paula, com mais de duas décadas de carreira, relata o tratamento diferenciado e a luta por espaço. Ela acredita que as mulheres tocam forró pé-de-serra com igual ou até maior qualidade e charme.

Dados do Sebrae indicam um aumento da presença feminina na economia criativa e empreendedorismo no Brasil, especialmente na Paraíba, onde mulheres representam 35% dos empreendedores, muitas chefes de família e atuando na informalidade, enfrentando preconceitos.

A jovem sanfoneira Antonella Brasileiro, de apenas dez anos, já demonstra um futuro promissor. Inspirada por sua ligação familiar com Sivuca, ela sonha em levar a cultura nordestina e o forró para o mundo.

A sanfona de 8 baixos, com sua capacidade de adaptação e a dedicação de músicos como Luizinho Calixto, André Julião, Ana Paula da Silva e Antonella Brasileiro, demonstra que o instrumento tem um futuro vibrante, com novas oportunidades de empreendedorismo e reconhecimento artístico.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072