O governo federal decidiu prorrogar por mais dois meses os incentivos fiscais para a importação e comercialização de biodiesel e querosene de aviação. A decisão, oficializada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (29), garante a manutenção dos descontos até 31 de julho, data que originalmente marcaria o fim dos benefícios.

A extensão foi formalizada pelo Decreto nº 12.991, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. O novo decreto modifica os decretos anteriores nº 5.059/2004 e nº 10.527/2020, que estabelecem a redução das alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre esses combustíveis essenciais.

Os coeficientes de redução permanecem inalterados: 0,99987 para o querosene de aviação e 1 para o biodiesel. Isso significa que o desconto sobre os impostos para o querosene de aviação se mantém próximo a 100%, enquanto a tributação sobre o biodiesel continua zerada até o final de julho.

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Impacto da alta nos combustíveis

Essa ação governamental representa um alívio temporário para as empresas de transporte, especialmente as aéreas, que enfrentam severos aumentos nos custos operacionais devido à escalada dos preços dos combustíveis, influenciada por conflitos no Oriente Médio. O objetivo é evitar que as companhias aéreas repassem esses custos adicionais aos consumidores, o que poderia gerar pressões inflacionárias.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) destaca que o querosene de aviação já consome 45% dos custos operacionais do setor. Em audiência pública recente na Câmara dos Deputados, o presidente da Abear, Juliano Norman, defendeu a extensão da isenção do PIS/Cofins sobre o querosene de aviação até o final do ano. Especialistas notaram que, entre fevereiro e o período da audiência, o preço do litro do querosene mais que dobrou, saltando de R$ 3,30 para R$ 6,65.

A Abear alerta que a elevação no preço do querosene de aviação tem forçado as companhias aéreas a reestruturar suas operações, resultando na diminuição da oferta de voos. Projeções indicavam uma redução de 93 voos diários em maio e 121 voos diários em junho, com maior impacto nas regiões Norte e Nordeste do país.

“Estamos reduzindo a oferta e o tamanho das aeronaves para não deixar de atender os destinos. Contudo, o pior cenário da crise seria o abandono de um destino ou a devolução de aeronaves aos fabricantes, pois a retomada desses serviços não é um processo simples”, explicou Norman.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072