No ano de 2024, a Paraíba registrou que 83,9% dos seus homicídios foram executados com o uso de armas de fogo, conforme aponta a edição 2026 do Atlas da Violência. O relatório, publicado nesta terça-feira (26) pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, evidencia a prevalência desse instrumento na criminalidade letal do estado.

Os números detalhados mostram que, das 1.058 mortes violentas catalogadas em território paraibano, 888 decorreram de disparos. Esse cenário coloca a Paraíba em um patamar preocupante, ocupando a vice-liderança nacional, atrás apenas do Ceará, onde o índice atinge 85,6% das ocorrências.

A realidade local destoa significativamente do panorama nacional. Enquanto a média brasileira de assassinatos por projéteis é de 70,1%, o índice paraibano supera essa marca em quase 14 pontos percentuais, reforçando o debate sobre o controle de armamentos na região.

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Redução histórica e tendências

Apesar da alta proporção atual, o levantamento traz um dado positivo: houve um recuo de 33,4% nas ocorrências desse tipo na última década. Em 2014, o estado contabilizava 1.253 óbitos por armas de fogo, número que caiu para os atuais 888, representando o segundo menor volume da série histórica.

O ponto mais baixo de letalidade armada foi atingido em 2019, com 722 registros. Desde então, as estatísticas apresentaram flutuações, mantendo-se, contudo, abaixo do patamar crítico observado no início dos anos 2010, segundo os dados consolidados pelo Atlas da Violência.

Cidades com maiores índices de violência

O estudo também destaca municípios como João Pessoa, Santa Rita e Patos. A análise utiliza o conceito de "homicídios estimados", que agrega mortes violentas intencionais notificadas e os chamados "homicídios ocultos", casos que sofrem subnotificação ou falhas de classificação técnica.

Na capital, João Pessoa, foram estimados 236 homicídios em 2024. Já Santa Rita e Patos registraram, respectivamente, 70 e 28 casos estimados, figurando entre as localidades com maior incidência de crimes violentos no contexto regional do Nordeste.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072