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A fatídica Chacina de Pioz completa dez anos neste mês, marcando uma década do brutal assassinato de uma família paraibana na Espanha. O autor do crime, Patrick Nogueira, cumpre pena de prisão perpétua em um presídio espanhol após ter tirado a vida do próprio tio, Marcos Campos Nogueira, da esposa dele, Janaína Santos Américo, e dos dois filhos pequenos do casal, na residência das vítimas em agosto de 2016.
A busca por oportunidades e a ruptura familiar
A mudança para a Europa começou em 2013, quando Marcos Nogueira desembarcou em solo espanhol disposto a construir uma vida melhor atuando no setor de gastronomia. No ano seguinte, sua esposa e a filha mais velha desembarcaram no país para reunir a família, local onde também nasceu o filho caçula do casal.
Em março de 2016, Patrick Nogueira, aos 19 anos, viajou para a Espanha sob o pretexto de tentar a carreira no futebol profissional. Apesar dos alertas de parentes no Brasil sobre a precipitação do plano, Marcos acolheu o sobrinho em sua própria casa no pequeno município de Pioz.
Contudo, a convivência harmoniosa durou pouco. Em um curto período de cinco meses, pequenos atritos cotidianos e a falta de colaboração de Patrick nas tarefas domésticas geraram um desgaste constante com os tios, ambiente que antecedeu a tragédia.
A execução do crime e a confissão
No dia 17 de agosto de 2016, o jovem executou a tia Janaína e os dois primos com golpes de faca, aproveitando que o tio estava no trabalho. Horas mais tarde, ao retornar à residência, Marcos foi surpreendido e também morto pelo sobrinho, que esquartejou os corpos e os colocou em sacos plásticos antes de fugir.
A tese inicial da polícia espanhola apontava para um acerto de contas, mas evidências genéticas deixadas na cena do crime confirmaram a autoria de Patrick. Em depoimento prestado às autoridades locais, o réu confesso admitiu ter sentido um impulso incontrolável de matar dias antes da chacina.
Diante da gravidade dos atos, a Justiça da Espanha aplicou ao brasileiro penas que somam três condenações à prisão perpétua, acrescidas de mais 25 anos de reclusão pelo homicídio da tia. Atualmente, ele está custodiado na Penitenciária de Aranjuez, podendo solicitar revisão da pena apenas em 2041.
O papel das mensagens instantâneas e o desdobramento na Paraíba
Enquanto aguardava a chegada do tio para finalizar o massacre, Patrick trocou mensagens em tempo real pelo WhatsApp com seu amigo Marvin Henriques Correia, que estava em João Pessoa. Nas conversas, o assassino narrou detalhes da ação e recebeu sugestões sobre como ocultar vestígios e deixar a residência.
A conduta do interlocutor gerou uma longa batalha jurídica no Brasil. Inicialmente, a Justiça paraibana absolveu Marvin sumariamente, acatando a tese de que a conduta de trocar mensagens não configurava crime previsto no Código Penal Brasileiro.
Entretanto, o Ministério Público da Paraíba recorreu e, em 2023, o Tribunal de Justiça reabriu a ação penal por entender que o réu deu apoio moral e instigou a prática do crime. A defesa tenta transferir o julgamento para a esfera da Justiça Federal, alegando questões de cooperação internacional, enquanto o processo segue em tramitação no estado.
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