O ministro da Fazenda, Dario Durigan, embarcou para a França neste fim de semana, de 18 a 19 de março, para uma intensa agenda que incluiu reuniões do G7 e encontros bilaterais, com foco em Inteligência Artificial, energia e minerais estratégicos. Esta é a segunda viagem internacional do ministro desde que assumiu a pasta, sucedendo Fernando Haddad, e visa fortalecer a posição brasileira em debates econômicos globais.

Ao chegar a Paris na segunda-feira, 18 de março, Durigan integrou a reunião de ministros das Finanças e presidentes de Bancos Centrais do G7, grupo que reúne Estados Unidos, Alemanha, Japão, Reino Unido, França, Itália e Canadá. O Brasil, na condição de país convidado, teve a oportunidade de contribuir com as discussões econômicas globais.

Ainda na capital francesa, o ministro participou de eventos de diálogo com representantes da sociedade civil e do setor privado local, ampliando a interlocução sobre temas relevantes para a economia mundial.

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A programação de segunda-feira incluiu uma mesa redonda organizada pela revista Le Grand Continent, focada em geopolítica e análises intelectuais. Durigan também teve um almoço na redação do renomado jornal Le Monde, em Paris, reforçando a comunicação com a imprensa internacional.

No período da tarde, Durigan realizou uma visita à startup francesa de Inteligência Artificial Mistral AI, onde se encontrou com o CEO da empresa, Arthur Mensch, para discutir os avanços e desafios do setor. A noite foi encerrada com a participação no jantar ministerial do G7.

Reuniões bilaterais

A terça-feira, 19 de março, foi marcada pela continuidade da reunião do G7, com a presença dos ministros de Finanças e presidentes de Bancos Centrais. Após as sessões plenárias, o ministro brasileiro deu início a uma série de importantes encontros bilaterais.

Após o almoço de trabalho, Durigan teve reuniões estratégicas com a ministra-delegada para Inteligência Artificial da França, Anne Le Hénanff, e com a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, aprofundando os laços e discussões em áreas-chave.

Outro compromisso relevante foi o encontro com Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia. A reunião ocorreu em um contexto de crescentes preocupações globais com o abastecimento energético, agravadas pelo conflito no Oriente Médio, ressaltando a importância do diálogo sobre segurança energética.

Minerais estratégicos

Em entrevista prévia ao programa "Na Mesa com Datena", da TV Brasil, Durigan havia expressado a intenção de usar a viagem para posicionar o Brasil como um ator estratégico no mercado global de minerais estratégicos. Esses elementos são cruciais para o avanço da indústria tecnológica e para a transição energética mundial.

Entre os materiais destacados pelo governo brasileiro estão terras raras, nióbio e grafeno. Atualmente, a China detém a maior parte da produção global desses insumos, o que abre espaço para o Brasil como um fornecedor alternativo.

Conforme Durigan, a estratégia governamental visa atrair mais investimentos estrangeiros para o setor mineral brasileiro, mantendo, contudo, o controle nacional sobre os recursos naturais. A iniciativa prevê o incentivo à industrialização local e a agregação de valor à produção nacional, buscando ir além da simples exportação de matéria-prima.

O ministro enfatizou a importância de o país evitar ser apenas um exportador de matérias-primas, defendendo o fortalecimento da indústria nacional vinculada às cadeias mineral e energética para um desenvolvimento mais robusto.

Retorno

Concluídos os compromissos em Paris, Durigan iniciou sua viagem de retorno ao Brasil na noite de terça-feira, 19 de março, no horário francês. A chegada a Brasília está programada para a manhã de quarta-feira, 20 de março, com retomada imediata de suas atividades no Ministério da Fazenda.

Inicialmente, a visita à França estava planejada como a segunda fase de uma missão mais abrangente, que também incluiria a reunião do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), ou Banco dos Brics, na Rússia. Contudo, o ministro cancelou a etapa de Moscou devido ao fechamento temporário do aeroporto da capital russa, resultado de ataques de drones ucranianos na região.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072