O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou o colega André Mendonça de usar o caso master com claros propósitos político-eleitorais nesta terça-feira (15).

Durante sessão plenária extraordinária convocada pelo presidente da corte, Edson Fachin, o decano afirmou que a condução do processo tem o objetivo evidente de influenciar a disputa presidencial marcada para 4 de outubro.

“Com todas as vênias e toda sinceridade presidente, é evidente e até as pedras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral”, declarou Gilmar Mendes ao criticar a abertura de dados sigilosos próximos à data de manifestações populares.

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Em resposta imediata aos apontamentos feitos no plenário, o ministro André Mendonça rebateu as acusações e classificou a postura do decano como sendo de tom “leviano”.

“Não aponte o dedo para mim”, retrucou Mendonça logo após ouvir as manifestações, gerando um momento de forte tensão institucional transmitida ao vivo pela TV Justiça.

Contexto da crise no tribunal

O plenário se reuniu para analisar, de forma inédita na história do tribunal, a possibilidade de abrir uma investigação criminal contra um membro da própria corte, envolvendo menções ao ministro Alexandre de Moraes.

O relatório originado pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), foi tornado público por André Mendonça no início de setembro e aponta trocas de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Bueno Vorcaro e autoridades.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também entrou no debate ao pedir a anulação do relatório parcial, apontando que a investigação avançou sobre um magistrado sem a devida comunicação prévia ao plenário do STF.

Enquanto a defesa de Alexandre de Moraes classifica o material como ilegal e inconstitucional, o ministro solicitou a investigação de Mendonça por suposto abuso de autoridade, elevando a crise institucional a um patamar sem precedentes.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072