Em outubro de 2016, a Polícia Federal estruturou uma ação em João Pessoa para prender François Patrick Nogueira Gouveia, acusado pela Chacina de Pioz, crime que resultou na morte e esquartejamento de seus tios e primos na Espanha. Contudo, devido a trâmites burocráticos na liberação do mandado judicial, o suspeito conseguiu embarcar para a Europa horas antes da chegada dos agentes federais.

A quase prisão na Paraíba

Segundo o delegado Gustavo Barros, chefe da investigação em território brasileiro, a ordem de prisão foi expedida no final da tarde de 18 de outubro de 2016. Na manhã seguinte, quando as equipes saíram para cumprir o mandado de busca e apreensão, Gouveia já pousava em solo espanhol, onde acabou detido pelas autoridades locais.

Com a saída do acusado do território nacional, o processo penal brasileiro perdeu o objeto de julgamento, conforme a legislação da época. 'Como ele se entregou lá, a nossa jurisdição perdeu o sentido prático imediato, mas todo o material robusto que colhemos em João Pessoa serviu para instruir o processo espanhol', explicou Barros.

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Provas cruciais obtidas no Brasil

Apesar de o julgamento ter ocorrido na Europa, a cooperação jurídica internacional foi fundamental. A Polícia Federal apreendeu na Paraíba itens decisivos que ligavam o criminoso à cena do crime, como o cartão de transporte utilizado no dia dos assassinatos, notas fiscais de celulares, chips telefônicos e os tênis do acusado.

Patrick Gouveia acabou condenado à prisão perpétua na Espanha. Curiosamente, em mensagens trocadas no dia do crime, ele declarou que preferia cumprir pena no sistema penitenciário espanhol a enfrentar a Justiça brasileira, alegando que as condições carcerárias europeias seriam mais favoráveis.

O papel de Marvin Henriques e a reabertura do caso

As investigações também revelaram a participação de Marvin Henriques, amigo de Patrick, que recebeu mensagens em tempo real durante a execução dos crimes. A denúncia partiu de uma testemunha que teve acesso às mídias no celular de Marvin. No WhatsApp, o jovem chegou a dar orientações sobre como ocultar os cadáveres e evitar suspeitas.

Embora a Polícia Federal não tenha indiciado Marvin por não tipificar sua conduta como crime federal, a Polícia Civil da Paraíba deu andamento ao processo. Após ser absolvido sumariamente em 2021, o Tribunal de Justiça reabriu o caso em 2023. Atualmente, a defesa tenta transferir a competência do julgamento para a esfera federal.

Rotina na prisão e repercussão internacional

Hoje, Patrick cumpre pena na Penitenciária de Aranjuez, em Madri. Walfran Nogueira, tio do assassino, revelou que o sobrinho recebe frequentemente cartas de amor de mulheres espanholas devido à grande repercussão midiática do caso. O criminoso mantém uma postura neutra e evita contato com a imprensa, recusando propostas financeiras para entrevistas.

Walfran declarou que, apesar da dor imensurável pela perda do irmão, da cunhada e dos sobrinhos de um e de três anos, escolheu perdoar os envolvidos para não carregar o peso do ódio. Ele reforça, no entanto, que o perdão pessoal não anula a necessidade de que a justiça legal seja rigorosamente cumprida.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072