A candidata à Presidência da República Samara Martins, da Unidade Popular, apresentou o programa de governo da UP ao Tribunal Superior Eleitoral, propondo uma reestruturação radical da economia brasileira. O documento defende a superação do capitalismo por meio de reformas profundas, como a duplicação imediata do salário mínimo nacional e a instituição da jornada de trabalho de quatro dias semanais.

O plano faz parte de uma série de diretrizes divulgadas pela Agência Brasil, que publica as propostas de todos os concorrentes ao Planalto em ordem alfabética. A chapa da UP para o pleito de 2026 destaca-se por ser composta exclusivamente por mulheres, trazendo a cirurgiã-dentista Samara Martins como cabeça de chapa e a líder sindical Raquel Brício como candidata a vice-presidente.

De acordo com o texto oficial da legenda, a atual desigualdade social do país decorre de um sistema que prioriza lucros privados em detrimento do bem-estar social. A candidatura propõe transformar serviços essenciais, como saúde, educação, saneamento e moradia, em direitos públicos universais, retirando-os da lógica de mercado.

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Mudanças no mercado de trabalho

O documento de 67 páginas, estruturado em 18 eixos, defende o fim imediato da escala de trabalho 6x1. Em seu lugar, a UP propõe a adoção da escala 4x3 para todos os trabalhadores brasileiros. Além disso, o partido planeja elevar o salário mínimo em 100%, o que elevaria o piso nacional para R$ 3.242, garantindo também emprego pleno para a população adulta.

Estatizações e controle da economia

Na esfera macroeconômica, a proposta prevê a suspensão imediata do pagamento da dívida pública para auditoria, estimando redirecionar R$ 2 trilhões para áreas sociais. O plano inclui a nacionalização do sistema financeiro sob gestão dos trabalhadores e o fim da autonomia do Banco Central. Empresas anteriormente privatizadas, como a Petrobras, Eletrobras e Vale, seriam totalmente reestatizadas pelo governo.

O programa de governo também propõe o monopólio estatal sobre setores estratégicos, como mineração e combustíveis, além da revogação de concessões de rodovias e aeroportos. Na área tributária, a UP defende a isenção do Imposto de Renda para a classe trabalhadora e a criação de uma tributação progressiva sobre grandes fortunas, heranças e lucros de bilionários.

Direitos sociais e segurança

A plataforma da candidatura de Samara Martins aborda a descriminalização do aborto, a igualdade salarial de gênero e o combate rigoroso à misoginia e ao racismo. O texto também defende a demarcação de terras indígenas, a titulação de territórios quilombolas e uma ampla reforma agrária com a nacionalização de terras produtivas.

Para a segurança pública, o partido propõe a desmilitarização das polícias e a reestruturação das carreiras. No Judiciário, a medida central é a instituição de eleições diretas para juízes e tribunais superiores, eliminando benefícios que ultrapassam o teto constitucional. Por fim, na comunicação, o plano prevê a estatização de grandes monopólios de rádio e televisão.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072