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O xadrez político de Cabedelo atinge um nível de complexidade e ironia sem precedentes após o afastamento de mais um gestor. Com a prefeitura acéfala e a deflagração de uma operação que resultou na apreensão de armas, dinheiro em espécie e documentos nas residências de investigados, a cidade acompanha atônita os desdobramentos no Legislativo. O atual líder da Câmara, o vereador Pereira — que está na iminência de assumir formalmente a prefeitura na condição de segundo vice-presidente —, confirmou a realização de uma sessão decisiva para votar projetos enviados pelo então prefeito Edivaldo Neto, pouco antes de sua queda.
A grande encruzilhada institucional reside no teor dessas propostas. O gestor deposto enviou ao Legislativo dois projetos de impacto direto: um que reduz o valor do IPTU e, paradoxalmente, outro que proíbe categoricamente a nomeação de qualquer pessoa envolvida com crimes para ocupar cargos na prefeitura. Caso a Câmara Municipal aprove o projeto de probidade, a situação pós-votação transformará a administração local em um campo minado para os próprios atores políticos que orbitam as recentes gestões investigadas, aplicando uma asfixia legal sobre as indicações de comissionados e secretários.
Se a Câmara aprovar o projeto, consolida-se um paradoxo institucional histórico na Política da Paraíba: a lei que higieniza os quadros da prefeitura terá sido imposta por um gestor que acaba de ser expurgado do poder pelas vias policiais.Essa aprovação, na prática, engessará a máquina pública contra os próprios esquemas que, historicamente, dilapidaram o município ao longo de quase 50 anos, forçando o novo prefeito em exercício a exonerar imediatamente qualquer servidor que figure nas listas de investigados das operações recentes.
Além do impacto administrativo imediato, a aprovação do projeto levanta um questionamento legal e regimental que movimenta os Bastidores do Poder. A principal incógnita que paira sobre a Câmara Municipal é a situação política do próprio autor das matérias. Destituído da cadeira de prefeito pela operação, questiona-se se Edivaldo Neto reassumirá sua função de vereador a tempo de participar da sessão e votar a favor de um projeto que, pelas atuais circunstâncias criminais, o atinge frontalmente.
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