O cenário político paraibano em 2026 começa a ser desenhado sob a ótica da precisão técnica e das articulações de bastidores. Um dos pontos centrais da discussão atual reside na desmistificação do sistema eleitoral. Frequentemente, o termo "legenda alta" ou "baixa" é utilizado de forma equivocada no debate público. Na realidade, o coeficiente eleitoral é um índice único, obtido através da divisão do número total de votos válidos pelo número de cadeiras em disputa — no caso da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), são 36 vagas.

A verdadeira disputa, portanto, ocorre dentro das agremiações. Com o fim das coligações proporcionais, a sobrevivência política depende da performance interna do partido. Exemplos históricos na Paraíba demonstram que candidatos com votações expressivas, como os 50 mil votos de Gobira ou os 106 mil votos de Tião Gomes em 2006, podem ficar de fora caso a legenda não atinja o coeficiente necessário, enquanto candidatos com votações menores em partidos estrategicamente montados conseguem a eleição. Essa dinâmica reforça que a análise real de viabilidade só será possível após o fechamento da janela partidária em abril.

Simultaneamente, o foco institucional se volta para o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB). A aposentadoria do conselheiro Nominando Diniz abre caminho para novas indicações da Assembleia Legislativa. Nominando deixa um legado de modernização tecnológica, tendo investido mais de R$ 40 milhões em softwares e na criação do Observatório de Dados, ferramentas que hoje são referência nacional em fiscalização. Para ocupar as vacâncias, os nomes do deputado estadual Taciano Diniz e do secretário Deusdete Queiroga despontam como favoritos. Taciano é visto como um dos perfis mais técnicos do legislativo, enquanto Deusdete traz a experiência de gestão no Executivo estadual.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

No plano nacional, o reflexo na Paraíba é nítido através do posicionamento dos governadores. O governador João Azevêdo integra o grupo de 12 gestores estaduais que declaram apoio à reeleição do presidente Lula. Contudo, o cenário é de alerta para o campo progressista: embora Lula conte com o apoio de mais governadores, o campo bolsonarista, liderado pelo senador Flávio Bolsonaro, detém o respaldo de estados com maior densidade eleitoral, totalizando 57,3 milhões de eleitores contra 53 milhões da base governista.

O sucesso eleitoral em 2026 não dependerá de siglas ou conceitos abstratos de legenda, mas da capacidade técnica dos partidos em aglutinar votos e da habilidade dos líderes em ocupar espaços estratégicos nas instituições.

FONTE/CRÉDITOS: : WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072.