Dois investigadores da Polícia Civil da Paraíba foram presos na Paraíba, em João Pessoa, sob suspeita de integrarem uma organização criminosa que desviava drogas apreendidas para revenda ilegal. Segundo a decisão judicial que autorizou a operação, os agentes teriam tentado reter parte de um montante de R$ 18 mil, proveniente da venda de entorpecentes, que deveria ser entregue ao delegado Braz Morroni, também detido na ação.

A Operação Perfidus, deflagrada na terça-feira (2), resultou na prisão de nove pessoas, incluindo policiais civis e membros de facções criminosas. O caso veio à tona através de relatos detalhados na decisão da Justiça, que teve acesso ao material investigativo.

De acordo com o documento judicial, um dos investigadores presos, Everton Aires, teria expressado descontentamento com cobranças de drogas feitas pelo delegado Braz Morroni. Em dezembro de 2025, Aires teria planejado ocultar do delegado uma venda de R$ 18 mil, conforme relatado na decisão.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

A intenção, segundo a Justiça, era reter a parte destinada ao delegado e reinvestir no tráfico. Contudo, 22 dias após a transação ilegal, Braz Morroni teria comparecido pessoalmente à delegacia para recolher sua cota.

O segundo investigador envolvido nas conversas sobre a apropriação ilegal de drogas é Eduardo Jorge Ferreira, conhecido como "Mão Branca". Transações financeiras de Everton Aires para contas ligadas ao delegado e conversas interceptadas indicam, segundo a investigação, a reserva de parte dos lucros para Braz Morroni em operações de tráfico.

A investigação aponta que Braz Morroni recebia repasses financeiros das negociações dos investigadores, exigia agilidade na recuperação de valores de drogas vendidas a prazo e usava sua posição para oferecer proteção institucional ao grupo criminoso.

Defesas se manifestam sobre o caso

A defesa do delegado Braz Morroni argumenta que a decisão judicial se baseou em relatórios policiais que utilizam conversas indiretas e que não há diálogo direto do delegado com os demais investigados. A defesa alega que a Polícia Civil falhou na individualização das condutas e que o delegado está sendo acusado injustamente antes mesmo de exercer seu direito de defesa.

A defesa repudia as presunções baseadas em conversas de terceiros e confia que a investigação esclarecerá os fatos, comprovando a inocência do delegado.

A defesa dos agentes da polícia informou que se pronunciará sobre o caso nesta quinta-feira (4).

Delegado busca prisão domiciliar

Durante audiência de custódia, a defesa de Braz Morroni solicitou a conversão da prisão temporária para domiciliar humanitária, alegando diagnóstico de câncer de próstata. No entanto, a juíza Michelini de Oliveira Dantas, da 1ª Vara Regional de Garantias de João Pessoa, indeferiu o pedido por falta de laudos médicos atualizados que comprovassem a necessidade.

A magistrada também observou que o exame traumatológico realizado atestou a integridade física do delegado. Braz Morroni permanecerá preso temporariamente por 30 dias no Presídio Especial do Valentina.

O pedido de prisão domiciliar será analisado pela juíza Conceição Marsicano, titular da 2ª Vara de Garantias de João Pessoa, após parecer do Ministério Público da Paraíba (MPPB).

Operação Perfídia

A Operação Perfídia investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. A ação cumpre nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão, além de ter determinado o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões dos investigados.

Os agentes presos são Everton Rychelyson da Silva Aires ("Bomba" ou "Bombado"), apontado como operador central da organização, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito ("Mão Branca"), suspeito de participar diretamente de subtrações de drogas.

Outros presos na operação são João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral, Paulo Ricardo Barbosa de Souza ("Galinha"), José Alexandrino de Lira Júnior ("Júnior Lira"), Vanessa Dantas Fernandes e Dankennedy Vieira Brito da Silva ("Babau").

O delegado Braz Morroni atua na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT) em João Pessoa e possui mais de 20 anos de carreira. O nome da operação, "Perfídia", significa traição ou deslealdade, em referência à conduta atribuída aos investigados.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072