A divulgação da programação oficial da Orquestra Sinfônica da Paraíba para 2026 escancarou, mais uma vez, um problema recorrente na Política da Paraíba: a concentração de investimentos culturais no litoral em detrimento do interior. Cajazeiras, um dos principais polos educacionais e culturais do Sertão, ficou novamente de fora do circuito de apresentações, repetindo um cenário que já se arrasta por cerca de três décadas.

A ausência prolongada da Orquestra na cidade não é apenas um dado isolado, mas um sintoma de uma política pública cultural que historicamente privilegia regiões mais próximas da capital. A lógica que se estabelece, nos Bastidores do Poder, aponta para uma distribuição desigual de recursos e oportunidades, onde o acesso à música erudita permanece restrito a uma parcela da população.

O argumento implícito de que não há público para apresentações sinfônicas no interior não se sustenta diante da realidade educacional e cultural de cidades como Cajazeiras. Ao contrário, a exclusão contínua reforça uma barreira simbólica e prática, afastando o acesso à diversidade cultural e limitando a formação de novos públicos fora do eixo litorâneo.

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A permanência dessa lógica reforça a percepção de que a política cultural do estado segue orientada por critérios geográficos e sociais que marginalizam o interior, apesar de sua contribuição econômica e tributária.

Esse cenário levanta questionamentos sobre o papel institucional da Orquestra Sinfônica da Paraíba e da gestão cultural estadual, sobretudo no que diz respeito à democratização do acesso à cultura. A descentralização de políticas públicas, frequentemente defendida em discursos oficiais, ainda encontra obstáculos quando confrontada com a prática.

Dentro desse contexto, a ausência de Cajazeiras na programação de 2026 não é apenas uma omissão pontual, mas um reflexo de uma estrutura que, ao longo dos anos, consolidou um modelo de exclusão silenciosa. O debate, portanto, ultrapassa a agenda cultural e se insere diretamente no campo da equidade e da gestão pública no estado.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072.