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A relação institucional entre os poderes em Santa Helena atingiu um novo ápice de desgaste após o vereador Valdivan Abrantes reagir com veemente indignação a um ofício do Poder Executivo. O documento, assinado pelo prefeito João Cléber, sugeria que o próprio parlamentar doasse um terreno para viabilizar a construção de uma creche no distrito de Várzea da Ema. A sugestão foi imediatamente classificada no plenário como um "deboche" e uma falta de respeito sem precedentes com o exercício do mandato parlamentar.
A recusa de Abrantes foi categórica e direta. O vereador deixou claro que, embora seja favorável e até realize doações de áreas para associações comunitárias, "jamais" transferiria seu patrimônio particular para a prefeitura assumir uma responsabilidade que é inerente ao Estado. O episódio gerou um forte sentimento de desânimo no parlamentar, que declarou em plenário que esse tipo de postura do Executivo esvazia a seriedade do debate público, fazendo-o, por vezes, perder a vontade de comparecer às próprias sessões legislativas.
Elevando o tom do escrutínio, Valdivan questionou duramente a lógica administrativa da atual gestão. O parlamentar criticou a recorrente inversão de papéis onde a prefeitura exige que a população ou seus representantes arquem com áreas públicas — citando, inclusive, que terrenos para a instalação de caixas d'água já haviam sido doados por terceiros no passado. "O povo vai pedir ou é a prefeitura que vai pedir o povo?", indagou de forma retórica. Somado a isso, o vereador ironizou a exigência burocrática contida no ofício do prefeito, que determinava que a área doada tivesse escritura pública, questionando se o ato de doação em prol da comunidade perderia seu valor caso não possuísse tal documento formalizado aos moldes exigidos.
A situação ganha contornos de inoperância gerencial ao constatar que a prefeitura possui alternativas viáveis para a resolução do impasse. O vereador revelou a existência de um proprietário de terras na região, classificado como um "cidadão de bem", que já se prontificou a vender a área necessária para a construção da creche de forma parcelada, adaptando-se às condições financeiras do município. Ao ignorar uma negociação mercadológica acessível em prol de um pedido de doação a um parlamentar, o Executivo municipal expõe uma fragilidade estratégica no seu planejamento de expansão estrutural.
O sentimento de desrespeito relatado por Abrantes é agravado pelo fato de que o vereador havia realizado, a pedido do próprio prefeito, um minucioso levantamento técnico no distrito. O estudo comprovou a existência de 58 crianças aptas à matrícula — número que, hoje, já ultrapassa a marca de 70 —, atestando a urgência e a viabilidade legal da obra. Contudo, em vez de prosseguir com a licitação e desapropriação, a prefeitura optou por travar a demanda social com uma exigência imobiliária imposta ao Legislativo.
A transferência da responsabilidade de aquisição de áreas públicas para um parlamentar não apenas configura um desvio de finalidade administrativa, mas atesta o esgotamento do diálogo e do planejamento da gestão municipal.
Sob o olhar atento desta coluna de Wgleysson de Souza, a Política da Paraíba acompanha um episódio que transcende a pauta local de Santa Helena. O embate expõe os Bastidores do Poder de um município onde a falta de vontade política para solucionar problemas básicos se converte em retórica irônica, penalizando diretamente as dezenas de famílias que aguardam, há meses, por uma creche que existe apenas no papel.
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SERTÃO DA PARAÍBA
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