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A expansão da inteligência artificial no ecossistema escolar exige um novo olhar sobre a inclusão digital na educação, focando não apenas no acesso aos dispositivos, mas no desenvolvimento do senso crítico. A avaliação foi apresentada pela consultora da Unesco, Daniela Costa, na última sexta-feira (14), durante o 4º Encontro de Educadores do Século XXI, no Rio de Janeiro, onde alertou para os riscos do uso tecnológico sem intencionalidade pedagógica.
A especialista, que também coordena a pesquisa TIC Educação do Cetic.br, destacou que o debate atual superou a simples entrega de computadores e internet nas salas de aula.
Segundo ela, é fundamental preparar estudantes e professores para compreenderem os propósitos, as oportunidades e os riscos que acompanham as novas ferramentas no aprendizado diário.
Desafios e impactos do uso de telas no ensino
No evento promovido pela Firjan, a consultora expôs dados globais que evidenciam os dois lados da conectividade no ambiente escolar.
Por um lado, experiências como a da China demonstram que transmissões de aulas de alta qualidade reduziram a disparidade salarial entre populações urbanas e rurais em 38%.
Por outro lado, a presença de smartphones em sala de aula sem mediação pedagógica gera forte dispersão, afetando o rendimento acadêmico em diversos países.
Daniela mencionou a restrição legal ao uso de celulares no ambiente escolar brasileiro, observando que metade das instituições já proíbe a presença do aparelho no início de 2026, com regras mais flexíveis no ensino médio.
Novos hábitos de pesquisa dos estudantes
O levantamento do Cetic.br revela uma mudança profunda no comportamento dos adolescentes durante a realização de trabalhos escolares.
Plataformas de vídeo como YouTube e TikTok tornaram-se as ferramentas de busca mais populares entre 89% dos alunos do ensino médio.
A consulta tradicional baseada em textos deu lugar à pesquisa visual, acompanhada pelo uso crescente de sites de busca, enciclopédias virtuais e geradores de IA.
Apesar da alta adesão às novas tecnologias, apenas um terço desses jovens afirma ter recebido orientação dos professores sobre as limitações e possíveis erros cometidos pelas IAs.
Valorização e formação continuada dos professores
Mesmo com o protagonismo dos recursos digitais, a mediação humana segue indispensável, sendo o docente a principal referência dos alunos para o uso seguro da internet.
Apesar do aumento da confiança dos estudantes na orientação escolar, os índices de capacitação continuada sobre tecnologias digitais para professores registraram queda nos últimos anos.
A educadora enfatizou que a sociedade precisa investir de forma contínua na valorização dos educadores, garantindo que a inovação tecnológica caminhe junto com o desenvolvimento integral dos alunos.
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