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A Sabesp anunciou a demissão de dois funcionários e a suspensão de outros sete em decorrência de um vazamento de gás ocorrido no centro de São Paulo, no bairro da República, em 4 de junho. A medida surge após a apuração interna do incidente que gerou preocupação com a segurança das operações.
Em paralelo, a companhia informou a criação da Diretoria de Segurança Operacional, além da unificação das áreas de Engenharia e Operações. A área de Clientes e Tecnologia também foi reestruturada, sendo dividida em duas novas diretorias distintas.
“Como parte do programa de tolerância zero com incidentes nas obras, a Sabesp anunciou no início do mês de junho um conjunto de medidas de reforço dos protocolos de engenharia e da fiscalização de obras para aumentar a segurança e minimizar os impactos das intervenções na rotina das cidades em que opera”, declarou a empresa em nota oficial.
O plano de ação abrange três frentes principais: a revisão de procedimentos de engenharia e segurança, a intensificação do monitoramento em todas as frentes de trabalho e a ampliação do programa de treinamento e capacitação dos colaboradores.
A companhia também planeja triplicar o número de fiscais em campo, passando de 200 para 600 profissionais, e expandir o uso de tecnologias para o monitoramento das obras em andamento.
Explosão no Jaguaré
Este incidente no centro da cidade ocorre em um contexto de outras preocupações com a segurança. No mês anterior, uma explosão na Comunidade Nossa Senhora das Virtudes II, no Jaguaré, zona oeste de São Paulo, resultou na morte de duas pessoas e deixou outras duas feridas. A ocorrência também está relacionada a uma obra da Sabesp.
Relatos de moradores indicaram a percepção de um forte odor de gás nas residências horas antes da explosão, que levou à interdição temporária de 46 casas.
O Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp) emitiu uma nota pública lamentando o ocorrido e criticando o que considera um desmonte técnico do setor de saneamento. A entidade defende uma apuração rigorosa e a revisão de políticas de gestão que, segundo o sindicato, colocam em risco a segurança.
“O episódio lança luz sobre um processo preocupante de desestruturação técnica e operacional que vem atingindo a Sabesp nos últimos anos, marcado pela privatização, pela redução acelerada dos quadros próprios e pela perda de profissionais altamente experientes, justamente aqueles responsáveis pela transmissão de conhecimento acumulado ao longo de décadas”, argumentou o Seesp.
Privatização e seus impactos
A privatização da Sabesp, a maior empresa de saneamento do Brasil, foi concluída em 23 de julho de 2024. O processo foi marcado por debates e questionamentos sobre seus potenciais impactos na segurança e na qualidade dos serviços.
O Seesp ressalta que o saneamento básico é uma atividade complexa, que demanda não apenas infraestrutura, mas fundamentalmente mão de obra altamente qualificada e com experiência acumulada.
“Ao priorizar exclusivamente indicadores financeiros de curto prazo, com enxugamento de equipes e substituição de trabalhadores experientes por estruturas terceirizadas e precarizadas, compromete-se esse patrimônio técnico indispensável à segurança”, alertou a entidade.
O Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema), que participou ativamente das audiências públicas sobre a venda da companhia, expressou preocupação com a perda do controle público e a potencial redução da influência governamental em decisões estratégicas.
O Sintaema já havia alertado sobre o risco de aumento de acidentes devido às demissões e à consequente diminuição das equipes de manutenção e resposta rápida após a privatização da Sabesp.
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