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O vocabulário da Política da Paraíba é repleto de artifícios retóricos desenhados para gerar expectativas sem gerar compromissos formais. Na busca por consolidar seu nome na Assembleia Legislativa (ALPB), a postura do ex-prefeito Marcos Eron diante das demandas do município de Cajazeiras ilustra perfeitamente essa manobra. Ao abordar a necessidade de um espaço adequado para atender pessoas com deficiência e autismo na região, a fala do pré-candidato revela que a construção de um centro especializado não passa de uma mera sugestão jogada ao vento, carente de qualquer alicerce legislativo próprio.
Durante sua exposição pública, Eron exalta o fato de ter destinado R$ 200 mil à Associação dos Pais e Amigos do Autismo (APA) de Cajazeiras, assumindo o papel de agenciador de recursos. No entanto, ao projetar o futuro estrutural para a região que polariza diversas cidades vizinhas, ele recua do papel de parlamentar formulador de políticas públicas. Em vez de apresentar um projeto de lei estadual ou uma rota institucional sólida para viabilizar a obra, o ex-gestor utiliza a construção de um centro similar em Monte Horebe apenas como vitrine comparativa e, num ato contínuo, transfere a responsabilidade de execução para terceiros. A sua declaração é direta: "eu acredito que aqui deve ser construído um espaço [...] nós acreditamos que o próximo governador [...] irá fazer isso aguardem Cajazeiras".
Essa construção discursiva escancara uma deficiência central nos Bastidores do Poder: a tentativa de colher dividendos eleitorais pela indicação verbal de uma obra, enquanto o candidato se exime da responsabilidade direta de garantir a sua implementação através do poder que pleiteia. Ao mandar o eleitorado de Cajazeiras "aguardar" a ação do futuro chefe do executivo estadual, Eron confirma que não possui um planejamento legislativo autônomo. Ele atua, na prática, como um conselheiro terceirizado do governo do estado, e não como um futuro deputado independente capaz de transformar direitos em leis e orçamentos impositivos.
A promessa velada do ex-prefeito expõe um projeto político de fachada, onde a tribuna do parlamento é substituída por um palanque de terceirização, evidenciando que Marcos Eron prefere sugerir o que os outros devem fazer a assumir o peso de legislar para a Paraíba. Para o jornalismo analítico assinado por Wgleysson de Souza, fica a constatação inegável: no xadrez estadual, quem apenas "sugere" e manda o povo "aguardar" demonstra não estar pronto para assumir a caneta e o rigor de um mandato na Assembleia Legislativa.
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