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O exercício da comunicação pública exige, antes de tudo, humanidade. No entanto, o que se viu recentemente em Cajazeiras, através das redes sociais do subsecretário de Comunicação, Fernando Antônio, foi um desfile de insensibilidade. Ao utilizar a imagem de um cidadão com deficiência — que teria sido vítima de um assalto violento — para "fazer graça" ao pedir que o mesmo relatasse o fato, o gestor cruzou a linha da ética e da decência.
A cena é constrangedora: enquanto a vítima apresenta um boletim de ocorrência por perda de documentos, o secretário, em tom de mofa, incita o homem a falar, sabendo de sua limitação. É inadmissível que a máquina pública sirva de palco para o menosprezo de pessoas humildes sob o pretexto de conteúdo carnavalesco. A repercussão nos comentários, repletos de risadas, reflete uma sociedade que ainda normaliza o capacitismo, mas a responsabilidade de um ocupante de cargo de confiança deve ser o oposto: a proteção e o respeito absoluto ao cidadão.
Espera-se que a prefeita de Cajazeiras tome providências imediatas. Ocupar uma cadeira na Secretaria de Comunicação exige mais do que carisma de vendedor ou passagens por veículos locais; exige formação, preparo e, sobretudo, respeito à dignidade humana. Cajazeiras é uma terra acolhedora, mas não pode ser solo fértil para quem usa o pedestal do poder para diminuir o próximo.
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