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Em Uiraúna, a eleição municipal de 2028 começa a movimentar os bastidores com antecedência. A prefeita Leninha Romão já tornou público seu projeto de apoiar a empresária Aninha Romão para sucedê-la, enquanto o nome do ex-prefeito Dr. Geraldo Nogueira passou a ser associado à possível composição da chapa como candidato a vice-prefeito. A movimentação foi noticiada pelo Blog do Fábio Kamoto em 10 de outubro de 2026.
A antecipação da sucessão, por si só, não representa irregularidade. Prefeitos e grupos políticos costumam organizar alianças com antecedência. A questão relevante é outra: até que ponto a definição de uma candidatura dentro do grupo governista será acompanhada de diálogo com a população e com as próprias lideranças políticas do município?
Segundo informações atribuídas a aliados, a composição com Aninha Romão e Dr. Geraldo estaria entre os planos do grupo. Entretanto, a existência de uma articulação não significa que todos os integrantes da base tenham concordado com ela, nem que a chapa esteja definitivamente formalizada.
Gastos públicos: o que os registros mostram?
Outro assunto que merece atenção é a contratação de veículos pela administração municipal. Uma consulta a registros públicos de licitação aponta que a Prefeitura de Uiraúna realizou o Pregão Eletrônico nº 00002/2026, destinado à contratação de um veículo utilitário de médio ou grande porte, com capacidade para até sete ocupantes, para atender às demandas administrativas e de representação oficial do gabinete da prefeita.
O procedimento teve valor estimado de R$ 125.957,16. A plataforma TransparênciaPB registra contratação de aproximadamente R$ 116,3 mil, com R$ 19,4 mil em pagamentos identificados na consulta disponível.
Esses números justificam o acompanhamento público do contrato, mas precisam ser interpretados corretamente. O valor estimado não é necessariamente o valor efetivamente pago, e os registros consultados, isoladamente, não demonstram irregularidade nem permitem concluir que houve excesso de gastos.
A pergunta legítima é se a despesa atende a uma necessidade administrativa demonstrável, se o preço contratado é compatível com o mercado e se a utilização do veículo corresponde ao interesse público. Para responder a essas questões, é necessário examinar o contrato completo, sua execução, os pagamentos e a justificativa administrativa.
Popularidade e sucessão: uma questão ainda sem resposta
Também circulam relatos atribuídos a aliados sobre uma suposta queda de popularidade da prefeita. Até o momento, porém, não há, nas fontes consultadas para esta coluna, uma pesquisa identificada que permita medir essa eventual redução de aprovação.
Sem levantamento com metodologia conhecida, número de entrevistados, período de realização e margem de erro, a afirmação deve permanecer no campo dos relatos políticos, não dos fatos comprovados.
Ainda assim, o debate sobre a sucessão traz uma questão importante: a escolha de um nome para dar continuidade a uma gestão não substitui a avaliação pública dos resultados administrativos. Obras, serviços de saúde, educação, infraestrutura, transparência e qualidade do atendimento à população precisam integrar a discussão.
A caneta define o candidato, mas não substitui o eleitor
O lançamento antecipado de Aninha Romão pode ser interpretado como uma tentativa de organizar o grupo governista em torno de um nome. A possível entrada de Dr. Geraldo Nogueira na composição acrescentaria outra liderança à articulação. Os efeitos concretos dessa movimentação, entretanto, dependerão das alianças, das decisões futuras e da resposta dos diferentes setores políticos de Uiraúna.
É nesse ponto que surge a crítica ao modelo de sucessão conduzido exclusivamente pelas lideranças. Quando a escolha é apresentada como uma decisão já resolvida dentro de um grupo, sem que haja diálogo público perceptível, abre-se espaço para questionamentos sobre a participação da população e a autonomia das lideranças locais.
A expressão “política da caneta”, frequentemente usada para descrever decisões concentradas em quem ocupa o poder, pode servir como metáfora para esse debate. Mas afirmar que houve imposição ou que a base foi excluída exige evidências concretas sobre reuniões, manifestações e decisões internas.
A sucessão municipal não deve ser tratada como patrimônio de um grupo político, mas como uma disputa pública sobre projetos, resultados administrativos e representação popular.
Uiraúna ainda tem tempo para discutir propostas e alternativas até 2028. Nesse intervalo, cabe à gestão prestar contas, aos grupos políticos apresentar suas ideias e à imprensa acompanhar os fatos sem transformar rumores em certezas.
No fim, o ponto central não é apenas quem Leninha Romão pretende apoiar, mas como o debate sobre o futuro do município será conduzido. A escolha de uma candidatura pode começar nos bastidores; a legitimidade política, porém, precisa ser construída diante da sociedade.
Publicado por:
SERTÃO DA PARAÍBA
🎙️ Jornalista • DRT 4407/PB ⚖️ Acadêmico de Direito 📡 CEO | TV Sertão • Ide Agência 📰 Jornalismo, mídia & comunicação 📍 Paraíba | Brasil
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