Um delegado e dois agentes da Polícia Civil da Paraíba foram presos nesta terça-feira (2) em uma operação que investiga um esquema de desvio de drogas e associação com traficantes. Vídeos de câmeras de segurança, obtidos pela investigação, mostram o delegado Braz Morroni e os agentes Everton Aires e Eduardo Jorge entrando em uma residência no município de Conde, na Grande João Pessoa, acompanhados de um suspeito de tráfico de drogas, conhecido como “Galinha”. A investigação, que durou mais de um ano, aponta que o grupo utilizava a estrutura do Estado para favorecer atividades criminosas, movimentando cerca de R$ 10 milhões em quatro anos.

As imagens, divulgadas pela TV Cabo Branco, registram a entrada dos policiais e do suspeito na casa, com o delegado Braz Morroni aparecendo em seguida. Cerca de 15 minutos depois, todos saem do imóvel e embarcam em uma caminhonete branca. A Polícia Civil informou que a operação, batizada de Perfídus, cumpriu nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio de R$ 10 milhões dos investigados.

Investigação aponta desvio de drogas e proteção a facção

De acordo com a denúncia que deu origem à investigação, os policiais teriam alegado uma denúncia anônima para acessar a residência. No local, teriam questionado de forma intimidadora uma mulher grávida sobre a presença de entorpecentes. A vítima relatou que um dos policiais possuía um desentendimento com uma vizinha, levantando suspeitas sobre a motivação da ação.

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A apuração policial, que analisou mais de 40 mil áudios, indicou que o esquema criminoso teria como objetivo combater a chegada do Comando Vermelho na Paraíba, mas, em vez disso, agentes de segurança estariam associados a traficantes, alimentando a facção e facilitando o retorno de drogas para as ruas.

Papéis no esquema criminoso

O delegado Braz Morroni é apontado como participante ativa do esquema, recebendo repasses financeiros e utilizando sua posição para oferecer proteção institucional ao grupo. As investigações indicam que ele recebia parte dos lucros obtidos com a venda de drogas desviadas.

O agente Everton Aires, conhecido como “Bomba”, é considerado o principal operador do grupo. Ele seria o elo entre policiais e traficantes, responsável por guardar drogas, negociar carregamentos, organizar a contabilidade clandestina e orientar sobre lavagem de dinheiro.

Já o agente Eduardo Jorge, o “Mão Branca”, participava diretamente da subtração de drogas, monitorava carregamentos e armazenava entorpecentes em sua residência. Ele também é citado por movimentações financeiras milionárias e mecanismos de ocultação patrimonial.

Outros envolvidos e desdobramentos

A operação Perfídus também identificou outros integrantes do grupo criminoso, incluindo João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral e Paulo Ricardo Barbosa de Souza, o “Galinha”, que atuavam no armazenamento, refino, comercialização e distribuição de drogas. José Alexandrino de Lira Júnior e Vanessa Dantas Fernandes são apontados como responsáveis pela distribuição e tesouraria do esquema, respectivamente.

Dankennedy Vieira Brito da Silva, o “Babau”, integrante da facção criminosa Nova Okaida, foi mencionado como uma das vítimas do desvio de drogas e quem divulgou as primeiras imagens que deram origem à investigação. Ele foi o único a não ser preso.

Três outras pessoas foram citadas com relações financeiras suspeitas e foram alvo de mandados de busca e apreensão. Um ex-policial militar, Diego Ernesto Pereira Barros, foi preso em flagrante por obstrução de justiça e posse ilegal de arma durante o cumprimento de um mandado, mas foi liberado após audiência de custódia.

As defesas de Braz Morroni, Everton Aires e Eduardo Jorge afirmaram não ter tido acesso à denúncia. A defesa do suspeito “Galinha” não foi localizada. A defesa do delegado Braz Morroni ressaltou o direito à presunção de inocência e que buscará provar sua inocência.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072