Após o desfecho das eleições presidenciais, membros da etnia Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, registraram graves denúncias de violência. Os relatos incluem tentativas de assassinato e ameaças diretas de envenenamento dos recursos hídricos consumidos pelas comunidades locais.

De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), pelo menos cinco ocorrências de homicídios contra nativos na região desde sábado (24) tornaram-se alvo de apuração pelas autoridades competentes.

Matias Benno Rempel, coordenador do Cimi no estado, relatou que houve intimidações constantes durante o pleito. Veículos circularam pelos territórios para gerar pânico e desestimular a participação nas urnas.

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No entanto, o especialista pontua que a hostilidade no campo é estrutural e contínua, fazendo parte da atuação de milícias locais e não se resumindo apenas ao cenário pós-eleitoral.

Entidades como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ministério dos Povos Indígenas e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) acionaram órgãos federais em busca de respostas rápidas.

Entre os episódios relatados está um atropelamento intencional registrado no município de Coronel Sapucaia, situado na faixa de fronteira com o Paraguai.

Ameaça de envenenamento da água

O Ministério Público Federal também investiga um áudio atribuído a um servidor público de Tacuru. Na gravação, há incitação para colocar veneno na água das aldeias como retaliação política.

Segundo a Apib, o acesso aos recursos hídricos na região é precário. Após a circulação das mensagens, muitos moradores suspenderam o consumo da água fornecida por caminhões-pipa.

O órgão federal determinou um prazo de 24 horas para que a prefeitura de Tacuru preste esclarecimentos sobre a autenticidade do material e a identidade do autor das ameaças.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072