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Em Campina Grande, o jovem Pedro Cirne, de apenas 9 anos, tem cultivado uma profunda paixão pela sanfona e pela obra do icônico Luiz Gonzaga, impulsionado pela influência de seu pai, Quinho Cirne. Essa conexão musical, que começou na primeira infância, não apenas fortalece os laços familiares, mas também garante a perpetuação de uma das mais ricas tradições culturais do Nordeste dentro de seu lar.
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A relação de Pedro com o instrumento de fole teve início muito antes de ele compreender a magnitude da sanfona que segurava. Crescendo em um ambiente musical, o incentivo do pai, Quinho Cirne, foi fundamental, apresentando o acordeão como uma extensão natural da convivência entre os dois.
“Quando ele nasceu, eu já botava uma sanfona nele”, recorda o pai, Quinho Cirne, com carinho, ao rememorar os primeiros contatos do filho com o instrumento.
O que começou como uma brincadeira de criança evoluiu para um compromisso significativo. A sanfona integra-se à rotina de Pedro, que encontrou na música um caminho para se conectar com suas raízes nordestinas e seguir os passos de grandes mestres que moldaram a identidade cultural da região, como Luiz Gonzaga.
“Eu comecei tão cedo, tão cedo, que eu nem lembro, porque quando eu fui ver, eu já tava tocando o sanfona”, revelou Pedro ao g1, evidenciando a naturalidade de seu aprendizado.
A inspiração no Rei do Baião
A admiração de Pedro por Luiz Gonzaga é uma constante em seu dia a dia. Para 2025, ele surpreendeu a família ao escolher o artista como tema de seu próprio aniversário, uma decisão que sublinha a profunda identificação com o Rei do Baião.
Pedro enxerga em Luiz Gonzaga não apenas uma referência musical, mas uma ponte direta para a rica cultura nordestina. “Eu escolhi ele porque sou muito fã”, afirmou.
Nesse mesmo período, o jovem músico teve a oportunidade de visitar Exu, no Sertão de Pernambuco, cidade natal de Luiz Gonzaga. Essa experiência aprofundou ainda mais a conexão de Pedro com a trajetória do artista e com as tradições que ele, por meio da sanfona, se empenha em manter vivas.
Conforme explica o pai, Quinho, o interesse de Pedro por história, museus e cultura em geral contribui para sua reverência por Luiz Gonzaga. Esse engajamento cultural intensificou o fascínio do filho pela vida e obra do Rei do Baião, especialmente pela dimensão histórica de seu legado e pelo acervo de seu museu.
Do brincar em casa ao domínio da sanfona
O interesse pela música floresceu de maneira orgânica no cotidiano familiar. Pedro começou a tentar reproduzir melodias, encontrando em clássicos do forró, como “Asa Branca”, um dos primeiros caminhos para dominar o instrumento que já era parte integrante de sua infância.
Aos 8 anos, ele recebeu sua primeira sanfona de verdade, dedicando-se com mais assiduidade ao aprendizado. Atualmente, sua rotina é dividida entre os estudos escolares, à tarde, e aproximadamente 30 minutos diária de prática musical.
Apesar dos desafios inerentes ao aprendizado de um instrumento, o pai destaca que Pedro nunca considerou desistir da sanfona. “Ele já teve dificuldade, mas nunca quis parar”, conta Quinho, orgulhoso.
Uma melodia de afeto entre pai e filho
A música transformou-se em um elo intergeracional na família. Quinho Cirne, que já possuía uma ligação com a sanfona, intensificou o incentivo ao filho ao perceber o genuíno interesse e dedicação de Pedro pelo instrumento.
Para Quinho, testemunhar o desenvolvimento musical do menino tem um significado particular, representando a continuidade de uma paixão que transcende gerações. “É gratificante ver algo que começou comigo virar paixão nele”, expressa.
Assim, a sanfona simboliza não apenas convivência e afeto, mas também uma forma vibrante de manter viva a identidade cultural nordestina no coração da casa.
Do palco escolar ao Trio Pé de Moleque
A estreia pública de Pedro ocorreu em junho de 2025, durante uma atividade escolar. Ele dividiu o palco com seus tios, Ryan e Ruan, em uma performance que, embora iniciada como uma proposta lúdica da escola, resultou na formação de uma nova rotina de ensaios e brincadeiras musicais.
Dessa forma, surgiu o “Trio Pé de Moleque”, nome escolhido para refletir a leveza e a espontaneidade da iniciativa infantil. Com participações pontuais em eventos escolares e culturais, o grupo começou a chamar a atenção, mas mantém sua essência longe de uma formação profissional.
A família enfatiza que o objetivo é preservar a música como um componente alegre da infância dos meninos, sem pressões e com amplo espaço para a diversão. “Foi uma brincadeira da escola, eles começaram a ensaiar juntos e ficou assim até hoje”, explica o pai.
A trajetória de Pedro Cirne ressoa com a realidade de inúmeras famílias no Nordeste, onde a sanfona, o forró e as celebrações juninas são pilares da formação cultural desde os primeiros anos. No seu caso, essa ligação nasceu no seio familiar, com o pai como principal incentivador, e o filho encontrando na música uma via para brincar, aprender e se reconectar com suas próprias raízes.
*Sob supervisão de Erickson Nogueira
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