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A **ocupação** de **idosos** no **mercado de trabalho** brasileiro registrou uma alta expressiva de 53% nos últimos dez anos, superando o ritmo de envelhecimento da população. Segundo levantamento da consultoria Nexus, divulgado nesta semana, esse avanço é acompanhado por um alto índice de informalidade, refletindo a necessidade de complementação de renda e os impactos das recentes mudanças previdenciárias.
Entre 2016 e 2025, o contingente de cidadãos com 60 anos ou mais saltou de 25,8 milhões para 35,2 milhões, representando atualmente 17% da população nacional. No mesmo intervalo, o número de profissionais nessa faixa etária em atividade subiu de 5,7 milhões para quase **8,8 milhões**.
A pesquisa destaca que o crescimento da empregabilidade na terceira idade ocorre de forma mais acelerada que o próprio aumento demográfico do grupo. Ao final de 2025, um em cada quatro idosos estava ocupado, atingindo a maior taxa de participação da última década.
Em termos comparativos, enquanto a população geral do Brasil cresceu 5% no período, o volume total de postos de trabalho expandiu 14,6%. No entanto, o desempenho do segmento 60+ destaca-se como o motor mais dinâmico dessa expansão laboral.
Perspectiva sobre a qualidade das vagas
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, descreve o cenário como ambivalente. Ele pontua que, embora a longevidade ativa seja positiva, há uma clara **precarização do trabalho** para quem já deveria estar usufruindo da aposentadoria.
Para o executivo, muitos profissionais de 70 ou 75 anos permanecem na ativa não por escolha, mas pela urgência de reforçar o orçamento doméstico. Isso evidencia uma falha na rede de proteção social para essa parcela da sociedade.
Metodologia e fatores de influência
O estudo utilizou dados da Pnad Contínua do **IBGE**, que monitora diversas formas de trabalho, incluindo autônomos e empregados sem carteira. Pelas métricas oficiais, apenas quem busca ativamente uma vaga é considerado desocupado.
Um dos principais vetores desse movimento é a **reforma da Previdência de 2019**. As novas regras elevaram a idade mínima e o tempo de contribuição, forçando a permanência de homens e mulheres por mais tempo no sistema produtivo.
Atualmente, a legislação exige 62 anos de idade para mulheres e 65 para homens, além de períodos mínimos de contribuição que variam entre 15 e 20 anos. Antes da mudança, o acesso ao benefício era mais flexível para diversos perfis.
O peso da informalidade
A precariedade atinge **53% dos trabalhadores idosos**, um patamar significativamente superior aos 38% registrados na média da população geral. Entre os jovens de 18 a 24 anos, esse índice de informalidade é de 41%.
Estar na informalidade significa a ausência de benefícios fundamentais, como o 13º salário, férias remuneradas e o recolhimento previdenciário. Para a Nexus, essa é uma característica estrutural e preocupante do emprego para o público 60+.
Diferente dos mais jovens, que muitas vezes podem prolongar a formação acadêmica, o idoso tende a aceitar ocupações informais rapidamente por necessidade imediata. O estudo conclui que o Brasil carece de políticas de inclusão geracional e ergonomia corporativa.
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