O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quinta-feira (11) a favor de estabelecer um prazo de 60 dias para que as big techs adaptem suas operações às novas diretrizes de responsabilidade civil sobre conteúdos publicados por terceiros. A medida visa garantir que as empresas tenham tempo hábil para implementar mecanismos de moderação exigidos pela Corte em território nacional.

O posicionamento ocorreu durante a análise de recursos interpostos por gigantes da tecnologia contra o acórdão de junho do ano passado. Na ocasião, o tribunal decidiu que as plataformas podem ser responsabilizadas juridicamente por postagens ilícitas de seus usuários. Toffoli atua como um dos relatores do processo.

O ministro defendeu a criação de um marco temporal específico para a aplicação da norma. Segundo ele, o intervalo de dois meses é fundamental para que as obrigações estruturais determinadas pelo plenário sejam efetivamente incorporadas pelas empresas de tecnologia.

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Diretrizes para moderação de conteúdo

As novas normas impõem que as redes sociais bloqueiem ativamente materiais que contenham exploração e abuso sexual, violência física ou que incentivem comportamentos prejudiciais à saúde física e mental de crianças e adolescentes.

Além da gestão de conteúdo, as companhias precisam obrigatoriamente manter um representante legal no Brasil. Essa figura é essencial para o recebimento de notificações judiciais e o cumprimento célere de ordens emanadas pelo Poder Judiciário.

"Este período é razoável e suficiente para que as providências necessárias sejam tomadas e eventuais ajustes técnicos realizados", destacou Toffoli em seu voto, justificando a viabilidade da transição para as plataformas digitais.

Marco temporal e aplicação das regras

O magistrado também reiterou que as sanções e regras serão aplicadas apenas a casos futuros. O marco de eficácia sugerido é 27 de junho de 2025, data que coincide com a publicação da ata do julgamento original pela Suprema Corte.

Para Toffoli, a definição clara desse limite temporal é indispensável para evitar insegurança jurídica. Ele argumenta que é preciso definir expressamente quando a tese começará a produzir seus efeitos próprios de forma organizada.

O julgamento segue agora com a coleta dos votos dos demais nove ministros da Corte. O debate central gira em torno de pedidos de esclarecimento feitos pelo Google e pelo Facebook sobre a extensão das novas obrigações impostas.

As empresas argumentam que o cumprimento imediato das regras é tecnicamente complexo. Por isso, solicitam que as exigências passem a valer apenas após o trânsito em julgado, quando não houver mais possibilidade de recurso no processo.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072