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A Petrobras não planeja alterações drásticas nos preços dos combustíveis no Brasil, mesmo com a escalada internacional do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio. A presidente da companhia, Magda Chambriard, informou que o foco da estatal é expandir a produção para assegurar a segurança energética do país, buscando mitigar os efeitos da guerra no Irã.
"A Petrobras tem trabalhado para aumentar a produção dos derivados [de petróleo] no mercado brasileiro, o que se revelou ainda mais importante a partir de março, em condições de guerra do Irã", declarou Magda Chambriard em evento no Rio de Janeiro.
Ela reforçou que "mudanças abruptas estão fora da nossa intenção de repasse", durante entrevista coletiva sobre o balanço financeiro da empresa.
Os ataques entre Estados Unidos e Irã, iniciados em 28 de fevereiro, intensificaram a instabilidade em uma região crucial para a produção de petróleo. O Estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20% do suprimento global de petróleo e gás natural, sofreu bloqueios, impactando a cadeia logística mundial.
Essa turbulência na oferta global de petróleo cru e seus derivados resultou em uma elevação significativa nos preços. O barril do Brent, referência internacional, disparou de US$ 70 para mais de US$ 100, chegando a picos próximos a US$ 120.
Por ser uma commodity, o petróleo tem seu preço ditado pelo mercado internacional, o que afeta o Brasil mesmo sendo um produtor significativo.
Para amenizar a alta nos preços internos, o governo federal implementou medidas como a isenção de tributos federais sobre combustíveis e a oferta de subvenção econômica a produtores e distribuidores.
Gasolina e Etanol em Foco
Desde o início do conflito, a Petrobras já promoveu reajustes no preço do óleo diesel e do querosene de aviação (QAV).
Contudo, a gasolina não sofreu alterações. Questionada sobre um possível aumento para alinhar o preço doméstico às cotações internacionais, a presidente da Petrobras indicou que a empresa monitora os preços, mas também considera a participação de mercado (market share) e a concorrência com o etanol.
"Temos a competição com o etanol, que em quinze dias caiu de preço. O Brasil tem uma frota flex, e só no posto o motorista escolhe qual combustível usar", explicou Chambriard.
A executiva acrescentou que a produção nacional de gasolina pela Petrobras atende à demanda interna, com o país atuando tanto como importador quanto exportador do combustível.
Angelica Laureano, diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, esclareceu que a decisão sobre um eventual aumento no preço da gasolina não está atrelada à aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 67/2026, que visa zerar as alíquotas de PIS/Cofins e Cide sobre combustíveis.
"Se a empresa avaliar que está persistentemente com o preço que não atende às nossas expectativas, a gente vai aumentar; e o PLP, talvez, venha para nos ajudar a não repassar isso ao mercado", disse Laureano. Ela garantiu que, no momento, o preço está "equilibrado".
Desempenho Operacional da Petrobras
A presidente da Petrobras ressaltou o forte desempenho operacional da companhia, com um recorde na produção de óleo e gás. No primeiro trimestre, a produção foi 16,1% superior à registrada no mesmo período do ano anterior.
Segundo Magda Chambriard, o Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias superou 100%, o nível mais alto desde dezembro de 2014.
O FUT, um indicador chave da capacidade de produção das refinarias, permite operar acima das capacidades máximas de projeto e referência com autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A empresa também destacou seus investimentos em confiabilidade das instalações, prevendo um ano de baixa em manutenções programadas em 2026.
Lucratividade e Investimentos
No primeiro trimestre de 2026, a Petrobras reportou um lucro líquido de R$ 32,7 bilhões, um aumento de 110% em relação ao trimestre anterior (R$ 15,6 bilhões).
Comparado ao mesmo período de 2025, que registrou R$ 35,2 bilhões, houve uma retração de 7,2%.
Magda Chambriard atribuiu essa variação ao efeito cambial, explicando que o lucro em dólar apresentou uma leve alta.
"Temos efeito câmbio que não tem efeito no caixa da companhia", afirmou.
Os investimentos da companhia totalizaram R$ 26,8 bilhões no trimestre, representando um crescimento de 25,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
A dívida da Petrobras atingiu US$ 71,2 bilhões (aproximadamente R$ 350 bilhões) no período, um aumento de 10,8% na comparação anual. No entanto, este valor permanece abaixo do limite de US$ 75 bilhões estabelecido no plano de negócios 2026-2030.
O custo médio do barril de petróleo Brent foi de US$ 80,61, 26,6% superior ao do último trimestre de 2025.
A companhia esclareceu que o recente aumento nos preços do petróleo e o recorde de produção não se refletiram integralmente nas receitas do primeiro trimestre.
"Por exemplo, no mercado asiático, destino da maior parte das nossas exportações, a precificação costuma ocorrer com base nas cotações do mês anterior àquele da chegada da carga", explicou a Petrobras em comunicado.
"Portanto, a elevação nos preços de petróleo após o início do conflito no Oriente Médio estará refletida nas exportações do segundo trimestre", concluiu a nota aos investidores.
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