O princípio constitucional de que os poderes da República são harmônicos e independentes distanciou-se severamente da realidade no Brasil de hoje. O que se observa, desde a administração municipal até a capital federal, é um cenário de interferência contínua, onde Executivo, Legislativo e Judiciário não conseguem operar sem atritos predatórios. 

Na Política da Paraíba, os desdobramentos em Santa Rita exemplificam o nível de tensionamento. Uma determinação do Tribunal de Justiça forçou a Câmara Municipal a pautar matérias, culminando em uma paralisia política que provocou até mesmo o cancelamento do São João da cidade por impasses na autorização de despesas. A imposição de multas financeiras pelo Judiciário aos vereadores — penalidades cujo custo final acaba sendo absorvido pelo próprio contribuinte — demonstra a disfunção do sistema e a judicialização extrema da rotina legislativa.

As fraturas institucionais refletem-se, em igual proporção, nas esferas estadual e federal. Na Assembleia Legislativa da Paraíba, as dificuldades de alinhamento com o Executivo travam a liberação das emendas parlamentares. Em Brasília, os Bastidores do Poder no Supremo Tribunal Federal (STF) revelam divergências sobre a abertura de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), com decisões monocráticas sujeitas a julgamentos de plenário que arriscam desgastar a autoridade dos próprios ministros. Historicamente temidas e cumpridas de imediato, as ordens judiciais hoje são frequentemente questionadas ou ignoradas, ilustrando um vácuo de autoridade. 

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No cenário atual de crise institucional, a imprensa, frequentemente referida como o "quarto poder", deveria cumprir o seu papel fundamental, que é apenas o de bem informar a notícia à sociedade. Contudo, no meio desse desentendimento entre os Três Poderes, a atuação da imprensa acaba piorando a situação ao reproduzir narrativas de um lado e do outro. Em vez de manter a objetividade e focar em sua missão de apenas informar os fatos, a mídia acaba contribuindo para a confusão e a polarização que marcam a atual crise política. A falência do diálogo entre as instituições públicas, somada à incapacidade de grande parte do jornalismo de atuar como um mediador neutro, aprofunda a instabilidade da República e deixa o cidadão desamparado em meio ao caos administrativo.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072.