No tabuleiro da Política da Paraíba, a linha entre a eficiência administrativa e o marketing hiperbólico costuma ser tênue. Na tentativa de viabilizar seu nome para a Assembleia Legislativa (ALPB), o ex-prefeito de Monte Horebe, Marcos Eron, adota uma estratégia de convencimento peculiar: a justificativa de que a execução de obras estruturais básicas em seu município serve como uma vitrine irrefutável para todo o estado. Para sustentar essa narrativa, o pré-candidato utiliza o interesse pontual de gestores vizinhos como um atestado de validação de seu suposto modelo administrativo.

A justificativa de Eron apoia-se fortemente na exportação de ideias locais. Durante sua exposição, ele cita com orgulho a visita do prefeito de Manaíra e sua comitiva, que viajaram a Monte Horebe com o intuito de usar o canil municipal como inspiração para resolver problemas de zoonoses em sua própria cidade. O esforço retórico atinge seu ápice quando o ex-gestor tenta elevar a estrutura do cemitério municipal — construído de forma plana e sem túmulos aparentes — à categoria de "prática educadora", afirmando que o local atrai visitantes até de outros estados para observar o seu formato diferenciado. 

Além da infraestrutura física, o político justifica sua projeção estadual exaltando a prestação de serviços de saúde e assistência, argumentando que a rede de Monte Horebe acaba suprindo as lacunas de municípios maiores e que as suas boas práticas justificam a sua candidatura. Ele destaca, por exemplo, que o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) local atende a cidade vizinha de Bonito de Santa Fé, e classifica o programa municipal de repasse de renda "Bolsa Progresso" como uma iniciativa única no Brasil, utilizando esses feitos como base de sustentação de seu palanque.

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A estratégia do ex-prefeito expõe uma manobra clara nos Bastidores do Poder: a tentativa de maquiar o cumprimento de obrigações fundamentais do poder executivo — como saúde básica e manutenção urbana — com o verniz de um projeto político de magnitude estadual. Sob a ótica analítica de Wgleysson de Souza, a justificativa de Marcos Eron esbarra na desproporção. Ao tentar convencer o eleitorado de que um canil e um cemitério nivelado são passaportes suficientes para o legislativo, o candidato demonstra uma necessidade urgente de transcender o microgerenciamento, sob o risco de limitar sua plataforma a um eco constante de sua própria gestão municipal.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072.