Espaço para comunicar erros nesta postagem
O Porto de Natal iniciou a temporada de exportação de frutas 2026/2027 com a projeção de embarcar aproximadamente 250 mil toneladas para o mercado internacional. A movimentação financeira estimada pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte chega a R$ 1,42 bilhão, acima dos R$ 1,36 bilhão registrados no ciclo anterior.
A estimativa representa crescimento de aproximadamente 10 mil toneladas sobre a temporada passada. O primeiro embarque levou cerca de 5 mil toneladas de frutas para Dover, no Reino Unido, e Roterdã, nos Países Baixos. BE News
Melão e melancia ocupam posição central nessa cadeia econômica. O Porto de Natal funciona como uma das principais portas de saída da produção potiguar destinada à Europa, enquanto o setor articula grandes áreas cultivadas, empresas exportadoras, infraestrutura portuária e acesso aos mercados internacionais.
A circulação das águas pela bacia do Rio Piranhas-Açu e os projetos de integração hídrica reforçam uma comparação inevitável para Cajazeiras. O município está inserido em uma região estratégica do ponto de vista hídrico, mas ainda não transformou essa condição, na mesma escala, em agricultura irrigada, agroindústria, emprego e receita.
É necessário, entretanto, fazer uma ressalva técnica. As fontes consultadas confirmam a importância dos vales do Piranhas-Açu e do Apodi-Mossoró para a fruticultura potiguar, mas não sustentam a afirmação de que quase todos os melões e melancias sejam atualmente irrigados com águas que tenham passado pelo território de Cajazeiras.
O dado dos 70% divulgado pela Codern possui outro significado: refere-se à participação das cargas embarcadas pelo Porto de Natal no melão e na melancia enviados ao mercado europeu e ao Reino Unido. Não representa o percentual de frutas irrigadas pelas águas do Rio Piranhas. Movimento Econômico
A mesma fonte informa que a chegada das águas do Rio São Francisco deverá ampliar a segurança hídrica do Rio Grande do Norte e criar condições para a expansão de culturas permanentes, especialmente manga e uva, em áreas como o Vale do Açu, Chapada do Apodi, Mossoró e região Oeste.
O contraste não está apenas na água que segue seu curso, mas na diferença entre possuir potencial hídrico e construir uma cadeia produtiva capaz de transformar esse recurso em riqueza.
O desempenho potiguar não nasceu apenas da disponibilidade de água. Ele resulta da combinação entre terra apropriada, irrigação tecnificada, crédito rural, pesquisa, assistência técnica, energia, logística, mão de obra, organização empresarial, certificação sanitária e contratos com compradores estrangeiros.
Para Cajazeiras avançar, seria necessário iniciar por um diagnóstico técnico. O município precisa identificar áreas agricultáveis, disponibilidade hídrica efetiva, qualidade do solo, capacidade dos reservatórios, regras de outorga e quantidade de água que pode ser utilizada sem comprometer o abastecimento humano e a sustentabilidade ambiental.
O segundo passo seria estruturar projetos de irrigação economicamente viáveis. Isso exige sistemas eficientes, energia acessível, assistência aos produtores e seleção de culturas adaptadas ao clima e com demanda comprovada. Plantar sem comprador definido pode transformar potencial produtivo em prejuízo.
Também seria indispensável organizar cooperativas ou associações capazes de concentrar produção, negociar insumos, padronizar qualidade e acessar mercados maiores. Pequenos produtores isolados dificilmente conseguem manter escala, regularidade e certificações exigidas por grandes redes comerciais ou importadores.
Outra frente é a agroindústria. Além da venda da fruta fresca, Cajazeiras poderia avaliar oportunidades em polpas, sucos, doces, desidratação e aproveitamento de resíduos. O processamento aumenta a vida útil dos produtos, reduz perdas e permite agregar valor dentro do próprio município.
A resposta para a pergunta “o que estaria faltando?” não cabe em uma única obra. Faltam planejamento integrado, segurança jurídica sobre o uso da água, investimento privado, crédito, tecnologia, organização produtiva, assistência técnica e conexão com mercados consumidores.
Na Política da Paraíba, a discussão precisa ultrapassar o discurso sobre a chegada das águas. É necessário definir como esse recurso poderá gerar produção sem ameaçar o abastecimento da população. Água disponível, quando acompanhada de planejamento e infraestrutura, torna-se desenvolvimento. Sem projeto econômico, continua apenas passando pela nossa porta.
/Dê sua opinião
Qual o seu nível de satisfação em relação ao serviço público prestado?
Para participar desta enquete, realize o login em sua conta!
Login Cadastre-seNossas notícias
no celular

PORTAL SERTÃO DA PARAÍBA