Um coordenador da campanha de um dos candidatos a deputado estadual com atuação em Cajazeiras tem demonstrado preocupação com a quantidade e a natureza dos pedidos apresentados por eleitores durante arrastões e outras atividades realizadas pelas ruas da cidade.

Segundo o relato recebido pela coluna, a lista inclui areia, telhas, tijolos, cimento, caibros, ripas e linhas utilizadas em construções. Algumas pessoas também solicitariam dinheiro para pagar a mão de obra necessária à realização dos serviços.

As demandas não param no material de construção. A coordenação também estaria recebendo pedidos relacionados ao pagamento de boletos atrasados de água e energia elétrica, revelando como dificuldades econômicas e necessidades domésticas acabam chegando diretamente às campanhas eleitorais.

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Nos Bastidores do Poder, esse tipo de situação não é uma novidade. Durante o período eleitoral, candidatos e integrantes de suas equipes passam a ser procurados por pessoas que buscam desde ajuda emergencial até benefícios individuais que deveriam ser atendidos, em muitos casos, por políticas públicas permanentes.

O aspecto que mais teria surpreendido o coordenador, entretanto, não seria a procura de famílias em situação de vulnerabilidade. De acordo com ele, também estariam fazendo pedidos pessoas com bom emprego, carro, casa própria e recursos financeiros disponíveis.

O que mais impressiona não é apenas o tamanho da lista, mas a tentativa de transformar a campanha eleitoral em balcão particular de atendimento a interesses individuais.

A existência dos pedidos, isoladamente, não significa que o candidato ou sua coordenação tenham aceitado, prometido ou entregue qualquer benefício. Também não permite concluir que houve compra de votos ou outra irregularidade eleitoral. Essa distinção é indispensável para uma análise responsável e juridicamente segura.

Por outro lado, candidatos e equipes precisam manter atenção redobrada. O oferecimento, a promessa ou a entrega de vantagem pessoal ao eleitor com a finalidade de obter voto pode caracterizar captação ilícita de sufrágio, conhecida como compra de votos. A configuração jurídica depende das circunstâncias, das provas e da finalidade eleitoral identificada no caso concreto, conforme a legislação e a jurisprudência reunida pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A situação também expõe uma distorção histórica da relação entre parte do eleitorado e os agentes políticos. Em vez de propostas coletivas para saúde, educação, infraestrutura, emprego e desenvolvimento econômico, algumas abordagens ainda são reduzidas a solicitações particulares e soluções imediatas.

Para quem realmente enfrenta pobreza, insegurança alimentar ou risco de suspensão de serviços essenciais, a resposta adequada deve vir da assistência social e de programas públicos estruturados, com critérios objetivos e atendimento impessoal. Campanhas eleitorais não podem substituir a responsabilidade do Estado.

Já os pedidos atribuídos a pessoas com condições financeiras estáveis provocam outro questionamento: até que ponto a cultura do benefício individual continua sendo tratada como parte natural do processo eleitoral? A resposta passa pela fiscalização das campanhas, mas também pela educação política do eleitor.

Na Política da Paraíba, o episódio mostra que a transformação das práticas eleitorais não depende somente dos candidatos. Exige igualmente uma mudança de comportamento social, com o voto orientado por propostas, resultados, capacidade administrativa e compromisso público — não por telhas, cimento ou boletos pagos.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072.