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O filósofo politiqueiro que circula pelos corredores da TV Sertão continua acompanhando atentamente a propaganda eleitoral. Com olhos e ouvidos ativos, observa discursos, jingles, fotografias, promessas e as cuidadosas produções destinadas a apresentar cada candidato como a melhor escolha para o eleitorado.
Depois de “engolir” cerca de quatro doses de conhaque, ele decidiu compartilhar mais uma de suas reflexões sobre a Política da Paraíba. Com a segurança típica de quem acredita ter finalmente compreendido os mistérios de uma campanha, disparou:
“O marketing faz de nossos políticos seres humanos ricos de grandes e raras virtudes.”
A frase surgiu carregada de ironia. Durante o período eleitoral, biografias são reconstruídas, realizações ganham novas dimensões e defeitos desaparecem das peças de propaganda. Cada candidato passa a ser apresentado como trabalhador incansável, defensor absoluto do povo e proprietário exclusivo das soluções para os problemas coletivos.
O verdadeiro milagre eleitoral talvez seja a capacidade do marketing de encontrar virtudes que permaneceram invisíveis durante todo o mandato.
A propaganda política possui a função legítima de apresentar candidaturas, propostas e trajetórias. O problema aparece quando a construção da imagem substitui o debate sobre resultados, coerência, compromissos e capacidade administrativa.
Nos Bastidores do Poder, sabe-se que campanhas trabalham com recortes favoráveis da realidade. O eleitor vê a melhor fotografia, a frase mais emocionante e a promessa cuidadosamente selecionada. Raramente são exibidas contradições, alianças inconvenientes ou compromissos abandonados.
Após concluir sua análise, o filósofo permaneceu em silêncio. Uma lágrima desceu lentamente por seu rosto. Não ficou claro se chorava pela beleza das virtudes apresentadas na propaganda, pelo efeito do conhaque ou pela distância entre a campanha idealizada e a realidade política.
Talvez tenha percebido que, em época de eleição, o marketing não vende apenas candidaturas. Vende personagens. E, quando o personagem parece perfeito demais, cabe ao eleitor investigar quem realmente existe por trás da produção.
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