A articulação governista na Política da Paraíba enfrenta fissuras internas profundas, especialmente na composição e no alinhamento com o Partido dos Trabalhadores (PT). Embora a sigla traga o peso institucional do apoio do presidente Lula e um tempo estratégico de três minutos no guia eleitoral, existem lealdades divididas entre os filiados. O cenário revela receios latentes em relação a figuras centrais como Veneziano Vital do Rêgo, João Azevêdo, Cícero Lucena e Lucas Ribeiro. Como tentativa de unificar o discurso e evitar defecções, a direção partidária estabeleceu a obrigatoriedade do apoio irrestrito ("barba, cabelo e bigode") ao projeto nacional como condição irrevogável para a manutenção de qualquer acordo estadual.

No centro dessa engenharia de alianças, a disputa pela indicação do vice expõe uma forte dissonância estratégica. Enquanto a base aliada liderada por Lucas Ribeiro dispõe de quadros com grande densidade eleitoral e capilaridade, como Adriano Galdino e Wilson Filho, o PT sinaliza com o nome do vereador Marco Vinícius, da capital. A escolha pretere lideranças históricas e de maior expressão, a exemplo de Cida Ramos ou Luiz Couto. Nos Bastidores do Poder, essa movimentação remete imediatamente ao erro tático de 2006, quando a exigência petista de indicar o então vereador Luciano Cartaxo para a vice de José Maranhão foi apontada como um dos fatores determinantes para o enfraquecimento daquela chapa majoritária.

A acomodação de aliados na máquina pública surge como outro foco crítico de instabilidade, exigindo uma condução técnica rigorosa para evitar conflitos fratricidas. O descontentamento tornou-se público após a migração da deputada Poliana para o PP — partido de Lucas Ribeiro — e a consequente indicação de seu marido para o secretariado estadual. O movimento gerou críticas internas severas de que o governo não deve ser operado como uma "capitania hereditária", termo utilizado para classificar o uso de cargos como moeda de troca familiar. A construção de alianças eleitorais na Paraíba assemelha-se a uma caminhada em areia movediça, onde a tentativa de agradar a todos os atores envolvidos pode resultar no afundamento das próprias candidaturas.

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No cenário das articulações no Sertão, especificamente em Cajazeiras, a comunicação política governista sofre com ruídos e contradições evidentes. A recente divulgação de uma fotografia com sinais de "V da vitória", reunindo Otacílio Ribeiro, a prefeita Maria do Socorro Delfino e Luallas Barroso, sugeriu um acordo selado em torno de candidaturas federais, mantendo o apoio a Aguinaldo Ribeiro. No entanto, as informações foram rapidamente confrontadas por declarações do próprio Otacílio, que negou qualquer acerto definitivo, citando a influência ainda pendente de Marcos Eron e do próprio governo estadual no processo.

A discrepância frontal entre as versões dos protagonistas da fotografia — com Socorro Delfino sinalizando entendimento e Otacílio Ribeiro mantendo a dúvida — evidencia a precipitação dos anúncios locais e o risco de se construir narrativas públicas sem a devida amarração política de bastidor. A leitura estratégica de Wgleysson de Souza indica que, frente a um cruzamento de dados tão divergentes entre os envolvidos, a verdadeira configuração de forças na região só será conhecida após o esgotamento dos diálogos e a proximidade real das convenções partidárias.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072