O ambiente político da Paraíba registrou, nos últimos dias, um movimento simbólico que vai além da liturgia dos eventos institucionais. Durante a solenidade em homenagem às mulheres na Assembleia Legislativa da Paraíba, o deputado estadual Chico Mendes (PSB) protagonizou um gesto que chamou atenção nos bastidores do poder: ao cumprimentar a também deputada Dra. Paula com um beijo no rosto, evocou, ainda que de forma indireta, o espírito da Semana Santa — período marcado por reflexões sobre perdão, reconciliação e humildade.

O gesto, carregado de simbolismo, foi interpretado como um sinal de distensionamento em um cenário historicamente marcado por disputas intensas. A cena reforça uma máxima cada vez mais necessária no campo político: adversários não precisam, necessariamente, ser inimigos.

Na mesma linha de posicionamento, Chico Mendes ampliou o tom conciliador ao se referir publicamente à prefeita de Cajazeiras, Corrinha Delfino, uma das homenageadas com a Medalha Epitácio Pessoa — a mais alta honraria concedida pelo Legislativo estadual. Em sua fala, o parlamentar convidou a gestora a se levantar e destacou, de forma direta, o resultado administrativo da atual gestão municipal.

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Ao reconhecer que foram adversários no último pleito eleitoral, o deputado não apenas resgatou o contexto recente da disputa, como também fez questão de enfatizar que a condução administrativa de Cajazeiras apresenta resultados positivos. A declaração, longe de ser trivial, rompe com a lógica tradicional de enfrentamento permanente e aponta para uma narrativa mais institucional.

“Fomos adversários, mas a boa gestão precisa ser reconhecida — e isso não diminui ninguém.”

A fala carrega um recado claro dentro da Política da Paraíba: o reconhecimento público de méritos administrativos, mesmo entre opositores, pode reposicionar lideranças e abrir espaço para novas configurações políticas. Nos bastidores, esse tipo de movimento costuma ser interpretado como indicativo de maturidade política ou, estrategicamente, como reposicionamento de discurso diante de cenários futuros.

A homenagem a Corrinha Delfino, somada à postura de Chico Mendes, evidencia um momento em que o discurso de pacificação ganha espaço, ainda que pontualmente. Em um ambiente onde conflitos costumam ser potencializados, gestos dessa natureza tendem a repercutir com força, especialmente em cidades como Cajazeiras, onde o histórico político é marcado por polarizações.

Dentro desse contexto, a leitura que se faz é de que há uma tentativa, ainda que sutil, de reconstrução de pontes institucionais. Seja por convicção, estratégia ou necessidade, o fato é que o episódio reforça uma inflexão no comportamento político local, alinhada a um discurso mais moderado e menos confrontacional.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072.