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O repertório de campanhas na Política da Paraíba frequentemente transforma ações rotineiras do poder executivo em panaceias administrativas. Na pré-candidatura do ex-prefeito Marcos Eron à Assembleia Legislativa (ALPB), o programa municipal "Bolsa Progresso" assumiu o papel de principal pilar argumentativo. Em suas declarações públicas, o pré-candidato eleva a iniciativa ao patamar de uma política pública ímpar, chegando a classificar o projeto como único no estado da Paraíba e em todo o Brasil. No entanto, uma análise fria dos números e da natureza do programa revela que a fronteira entre a inovação governamental e o marketing assistencialista local é bastante elástica na retórica do ex-gestor.
Ao decupar a vitrine administrativa, constata-se que o "Bolsa Progresso" consiste no repasse financeiro de R$ 300 para pouco mais de 100 famílias que possuem pessoas com deficiência, transtornos ou adultos matriculados no EJA em Monte Horebe, sendo muitas dessas famílias já amplamente dependentes de benefícios federais, como o Bolsa Família. Embora o auxílio represente um complemento financeiro válido para essas famílias no contexto de um município de pequeno porte, empacotar um estipêndio municipal de microescala como um modelo estruturante de nível nacional demonstra um nítido e hiperbólico esforço de convencimento eleitoral. A estratégia visa maquiar o assistencialismo clássico com o verniz de uma inovação administrativa sem precedentes.
A principal fragilidade dessa construção narrativa reside no vácuo de um desdobramento legislativo estadual. O ex-gestor escora sua postulação ao parlamento na simples existência do auxílio, mas omite deliberadamente como um programa de transferência de renda, restrito e custeado pelos cofres de uma prefeitura do Sertão, seria convertido em um marco legal escalável e viável para toda a Paraíba. A retórica de Marcos Eron revela a tentativa de transformar o microassistencialismo local em uma credencial desproporcional, na qual o pagamento de R$ 300 a um grupo restrito é utilizado como moeda de troca ilusória para justificar a competência em ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Sob o escrutínio rigoroso dos Bastidores do Poder, a leitura analítica referendada por Wgleysson de Souza evidencia que o desafio do postulante transcende a exaltação do próprio passado. O eleitorado e a dinâmica do estado exigem a compreensão clara de que a gerência de pequenos auxílios locais pertence estritamente à esfera do poder executivo. Sem apresentar uma pauta legislativa robusta que justifique a aplicabilidade de suas ideias no parlamento, a campanha de Eron arrisca-se a oferecer ao estado apenas o eco de um assistencialismo que, embora sirva como palanque em Monte Horebe, não comporta o peso e as exigências da função de um deputado estadual.
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