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A Agência Brasil, veículo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), completou 36 anos de atuação, firmando-se como uma fonte essencial de credibilidade no cenário jornalístico nacional. Ao longo das décadas, a agência tem desempenhado um papel crucial na democratização do acesso à informação, adaptando-se às transformações tecnológicas e reforçando seu compromisso com o jornalismo profissional.
De sua origem como difusor de informações governamentais, a Agência Brasil evoluiu para um veículo público que oferece material jornalístico profissional de forma gratuita. Suas notícias e reportagens são diariamente replicadas por uma vasta gama de veículos de comunicação, desde os maiores conglomerados até os pequenos jornais regionais em todo o território nacional.
Essa ampla distribuição, segundo especialistas, contribui para a pluralização das pautas, o combate efetivo à desinformação e o fomento do desenvolvimento e da cidadania. O professor de jornalismo Pedro Aguiar, da Universidade Federal Fluminense (UFF), ressaltou que "a gratuidade da distribuição da Agência Brasil democratiza o acesso a essa informação de necessidade e de demanda social".
Democratização do acesso
Nos últimos dois anos, o veículo público registrou um crescimento de 40% em seu percentual de acesso, evidenciando uma notável ampliação de sua capilaridade e alcance. Pedro Aguiar enfatiza o papel da Agência Brasil na divulgação de informações cruciais sobre serviços públicos, abrangendo desde campanhas de vacinação e educação até inscrições em programas sociais e os deveres cívicos.
Além disso, a agência consolidou-se como uma importante referência na cobertura econômica, abordando temas que impactam diretamente o cotidiano da população.
Pedro Aguiar, que se dedica à pesquisa sobre agências de notícias, argumenta que esses veículos representam um investimento estratégico no desenvolvimento de um país, indo além de um mero bem simbólico da comunicação com retornos de curto prazo. Ele compara a atuação da agência a uma "vacina contra a desinformação".
Apesar dos avanços, Aguiar sugere que o cenário pode ser aprimorado com o aumento da capilaridade da rede de apuração. "Qualquer agência de notícias é um investimento estratégico que um país pode fazer", pontuou o especialista.
O pesquisador defende que a conscientização social sobre o papel do jornalismo público da agência passa pelo reforço da relevância de sua produção de conteúdo. "Isso a agência já faz e pode sempre melhorar", frisou.
Aguiar também aponta a necessidade de a Agência Brasil contar com jornalistas correspondentes em todas as regiões do país e no exterior. Ele observa que "estamos vivendo um cenário de guerras que tem uma cobertura midiática ainda dependente das estruturas do primeiro mundo".
Para o professor, a presença de repórteres no Oriente Médio e nos Estados Unidos, por exemplo, permitiria que a mídia brasileira utilizasse materiais produzidos com uma perspectiva nacional.
Ele contextualiza que grande parte da mídia privada enfrenta subfinanciamento ou desfinanciamento, uma situação que, em sua visão, eleva o risco de a comunicação ser direcionada a interesses de oligopólios.
Consequentemente, "os cidadãos podem ficar mais à mercê desses grandes conglomerados tecnológicos e plataformas", alertou Aguiar.
Pedro Aguiar enfatiza que o investimento contínuo do Estado brasileiro na Agência Brasil fortalece o compromisso com a democratização do acesso à informação. Ele cita como exemplo negativo as decisões da Argentina e do México de cortar financiamentos de suas agências públicas de notícias, o que, em sua análise, deixou suas populações mais vulneráveis.
Agência pública e soberania nacional
O professor Fernando de Oliveira Paulino, pesquisador em comunicação pública da Universidade de Brasília (UnB), argumenta que um país que busca soberania e uma população bem informada necessita de uma agência de notícias com atividades robustas e fortalecidas.
"Dessa maneira, é essencial que o trabalho desenvolvido pela agência seja reconhecido e com as condições necessárias para sua plena atuação", complementou Paulino.
Paulino, que também preside a Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação (Alaic), reforça que a Agência Brasil deve alinhar sua atuação aos princípios constitucionais, promovendo a liberdade de expressão, a comunicação pública e o acesso irrestrito à informação.
Fortalecimento do jornalismo regional
Entidades representativas do setor também endossam a importância da agência pública de notícias. Moacyr de Oliveira Filho, diretor de jornalismo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), destaca que, em um país de dimensões continentais como o Brasil, a Agência Brasil desempenha um papel estratégico.
Ele afirma que a agência "leva informação confiável para todas as regiões, fortalece o jornalismo regional e contribui para o combate à desinformação".
Para o diretor da ABI, a priorização de pautas de interesse público pela agência promove a abertura de espaço para a pluralidade e o compromisso inegociável com a verdade. "Ao longo dessas décadas, a Agência Brasil construiu uma trajetória marcada pelo serviço público, pela credibilidade e pela valorização do jornalismo", avalia.
Oliveira Filho ainda ressalta que, em um país desafiado por desigualdades como o Brasil, a Agência Brasil desempenha um papel fundamental na democratização da informação e no fortalecimento do direito da sociedade de ser plenamente informada.
"O país deve defender a Agência Brasil porque presta um serviço público essencial. Seu conteúdo abastece veículos de comunicação em todo o país, especialmente os regionais e pequenos", reiterou Oliveira Filho.
Samira de Castro, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), complementa que o fortalecimento da Agência Brasil promove a transparência pública e a pluralidade de vozes no debate nacional.
"Em um cenário marcado pela desinformação e pela concentração dos grandes meios de comunicação, uma agência pública forte garante acesso a informações de interesse público e compromisso com a sociedade brasileira", concluiu Samira de Castro.
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