Em abril, a Dívida Pública Federal (DPF) apresentou um crescimento de 1,91%, aproximando-se da marca de R$ 8,8 trilhões, conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (27). O avanço foi motivado, primordialmente, por uma emissão histórica de títulos públicos atrelados à taxa Selic, visando o financiamento de compromissos financeiros do governo federal.

De acordo com o relatório oficial, o estoque total saltou de R$ 8,633 trilhões em março para R$ 8,798 trilhões no encerramento do mês passado. Esse movimento mantém o indicador em trajetória ascendente, após ter rompido a barreira dos R$ 8 trilhões em agosto do ano anterior.

As projeções do Plano Anual de Financiamento (PAF) indicam que o endividamento deve continuar subindo nos próximos anos. A estimativa é que o estoque da dívida encerre o exercício de 2026 em um intervalo situado entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.

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No recorte da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), houve uma alta de 1,93%, totalizando R$ 8,462 trilhões. O Tesouro registrou uma emissão líquida de R$ 68,04 bilhões em abril, somada a um impacto de R$ 92,54 bilhões referentes à apropriação de juros.

Dinâmica dos juros e emissões recordes

A apropriação de juros é o processo contábil onde o governo reconhece mensalmente a correção sobre os títulos. Com a taxa Selic em patamares elevados, esse custo financeiro exerce uma pressão direta sobre o crescimento do estoque da dívida pública brasileira.

O volume de títulos emitidos em abril alcançou R$ 201,09 bilhões, estabelecendo um novo recorde para a série histórica. Esse montante foi direcionado principalmente para a rolagem de papéis vinculados à Selic que venceram no período, além de atender à demanda do mercado.

Apesar do volume recorde de emissões, os resgates também foram significativos, somando R$ 133,05 bilhões. Esse fenômeno é comum no início de cada trimestre, quando ocorre uma concentração maior de vencimentos de títulos prefixados.

Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) teve um acréscimo de 1,28%, chegando a R$ 335,88 bilhões. Mesmo com a desvalorização do dólar frente ao real, o estoque subiu devido a uma emissão expressiva de 5 bilhões de euros realizada no mercado internacional.

Reserva de liquidez e composição

O chamado colchão da dívida pública, que atua como uma reserva financeira para momentos de volatilidade, apresentou recuperação em abril. O montante subiu para R$ 1,091 trilhão, garantindo a cobertura de aproximadamente 8,91 meses de vencimentos futuros.

A composição da dívida sofreu alterações, com os títulos atrelados à Selic aumentando sua participação para 48,59%. Em contrapartida, os papéis prefixados recuaram para 20,85%, enquanto os ativos corrigidos pela inflação mantiveram-se estáveis em cerca de 26,76%.

Títulos prefixados costumam oferecer maior previsibilidade à gestão pública, mas perdem espaço em cenários de instabilidade, quando investidores exigem prêmios de risco mais elevados. Atualmente, a atratividade dos papéis vinculados à Selic reflete a política monetária vigente.

Perfil dos investidores e prazos

O prazo médio para o refinanciamento da dívida teve uma leve melhora, passando de 4,1 para 4,12 anos. Esse indicador é fundamental para medir a confiança do mercado na solvência do Estado, uma vez que prazos mais longos sugerem maior estabilidade institucional.

Quanto ao perfil dos detentores da dívida interna, as instituições financeiras lideram com 31,46% do estoque. Na sequência, aparecem os fundos de pensão (22,32%) e os fundos de investimentos (22,17%), consolidando a base de financiamento nacional.

Houve, contudo, uma redução na participação de investidores estrangeiros, que caiu para 10,38% em abril. Analistas apontam que as tensões geopolíticas no Oriente Médio aumentaram a aversão ao risco, impactando a presença de não residentes no mercado brasileiro.

Essencialmente, a dívida pública funciona como um mecanismo de captação de recursos junto ao mercado para que o governo honre suas obrigações orçamentárias. O compromisso envolve a devolução do capital com correções baseadas em indicadores como inflação, câmbio ou juros básicos.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072