Na complexa engrenagem da Política da Paraíba, o tom inflamado no uso da tribuna frequentemente atua como um mecanismo de defesa contra o peso dos fatos. O atual cenário político do município de Santa Helena ilustra com clareza essa dinâmica. Nos últimos dias, a líder da situação na Câmara Municipal, vereadora Maria de Fátima Gonzaga Gomes Honorato ironicamente conhecida como "Fabiana Enfermeira", tem protagonizado discursos de forte ataque à oposição. Contudo, para quem acompanha os Bastidores do Poder, a leitura é outra: a elevação abrupta do tom governista coincide de forma cristalina com a eclosão de um grave escândalo ambiental e sanitário em seu próprio núcleo familiar.

O epicentro da crise repousa nos autos da Notícia de Fato nº 001.2026.011659, do Ministério Público da Paraíba (MPPB). Uma operação coordenada pela SUDEMA, AGEVISA e Defesa Agropecuária descortinou o funcionamento de um abatedouro clandestino no Sítio Cacimba do Gado, gerido pelo esposo da parlamentar. Os fiscais do Estado não encontraram uma atividade pastoril comum, mas sim um cenário desolador: abate contínuo sem qualquer licença, descarte irregular de sangue e vísceras a céu aberto, contaminação do solo e um ecossistema degradado atraindo urubus. Para agravar a situação, a gestão pública municipal é colocada sob suspeita de omissão e blindagem, visto que a filha da vereadora ocupou, até momento recente, a Coordenadoria de Vigilância Sanitária local.

Diante da interdição total do espaço e da materialidade das multas, a parlamentar recorreu às redes sociais em uma tentativa rasa de contenção de danos. Em vídeo, classificou as denúncias como "infundadas" e justificou o flagrante alegando que seu marido apenas "cuida de gado". Trata-se de um eufemismo insustentável. Há uma distância abissal entre a nobre tradição pecuária do Sertão da Paraíba e a manutenção de uma estrutura ilícita que coloca a saúde coletiva e as relações de consumo em risco. A contradição atinge seu ápice quando se observa que quem tenta minimizar um flagrante de tamanho risco sanitário carrega a enfermagem e o cuidado com a vida no próprio nome político.

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É exatamente neste vértice que a articulação política da vereadora no plenário do Legislativo ganha ares de espetáculo diversionista. Apontar o dedo e disparar denúncias contra os pares da oposição logo após ter o negócio da própria família embargado por três órgãos estaduais de fiscalização não é uma coincidência de pautas, mas um sintoma clássico de quem precisa mudar a manchete do dia. A fúria retórica direcionada aos adversários soa, sob o rigor do escrutínio público, como uma cortina de fumaça desesperada para tentar ocultar as carcaças, as infrações e o desastre ambiental documentados no próprio quintal.

Como temos reiterado nas análises do Jornalista Wgleysson de Souza, o mandato eletivo, a quem pauta a moralidade na tribuna, exige exemplaridade na vida privada. Uma liderança que se apropria do microfone institucional para tentar encobrir um esquema apontado pelo MPPB como um crime contra a saúde pública esbarra na própria hipocrisia. A população de Santa Helena já penalizada pela ausência de um matadouro público regular não demanda malabarismos verbais contra a oposição, mas sim respostas claras sobre a atividade que, em tese, lucrava operando às margens da lei.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista FENAJ 4407/PB | API/PB 3072