A Polícia Civil da Paraíba concluiu, recentemente, o inquérito sobre o trágico rompimento de reservatório da Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba (Cagepa) em Campina Grande, ocorrido em novembro do ano passado. A investigação determinou que uma falha de projeto na estrutura, datada de 70 anos, foi a causa primária do incidente que resultou na morte de uma idosa e na destruição de diversas residências, embora ninguém tenha sido indiciado.

A delegada Nercília Dantas detalhou que duas análises periciais foram cruciais para a elucidação do caso: uma conduzida pelo Instituto de Polícia Científica (IPC) e outra encomendada pela própria Cagepa. Ambos os laudos convergiram em suas conclusões, apontando que o colapso da estrutura teve início no solo, devido a um erro intrínseco ao projeto original do reservatório, concebido há aproximadamente sete décadas.

Esse vício de projeto, conforme explicado pela delegada, acelerou a deterioração do piso do reservatório. O chão cedeu abruptamente, culminando no colapso da estrutura. Naquela manhã de 8 de novembro do ano passado, o imenso volume de água contido no reservatório foi liberado de forma descontrolada, inundando residências no bairro da Prata.

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Apesar de uma vistoria simples ter sido realizada pela Cagepa no reservatório seis meses antes do incidente, o problema estrutural não foi detectado. Essa falha na inspeção permitiu que a situação de risco persistisse sem que medidas corretivas fossem tomadas.

O relatório final da Polícia Civil, embora tenha elucidado as causas do rompimento, não resultou no indiciamento de indivíduos. A justificativa para essa decisão reside na constatação de que a origem do problema foi um erro de projeto com setenta anos de antiguidade, dificultando a responsabilização penal de pessoas específicas no presente.

A Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba (Cagepa) comunicou à TV Paraíba que sua própria avaliação interna sobre o ocorrido ainda está em andamento. Enquanto isso, o inquérito concluído pela Polícia Civil foi remetido ao Ministério Público da Paraíba (MPPB), que até o momento não emitiu qualquer pronunciamento oficial a respeito.

Relembre o trágico incidente

O incidente no bairro da Prata, em Campina Grande, em novembro do ano passado, chocou a população. O rompimento de reservatório de água provocou o desabamento de, no mínimo, três residências, ceifando a vida de uma idosa e deixando outras duas pessoas feridas.

Com uma capacidade de armazenamento de aproximadamente dois mil metros cúbicos de água, equivalentes a dois milhões de litros, o reservatório abastecia uma vasta área. Seu colapso deixou 40 bairros de Campina Grande e as cidades vizinhas de Lagoa Seca, São Sebastião de Lagoa de Roça, Areial e Montadas temporariamente sem fornecimento de água.

A vítima fatal do rompimento de reservatório foi identificada como Maria do Socorro Leal Teixeira de Araújo, de 62 anos. Ela se encontrava em uma das residências diretamente atingidas pela torrente de água. Em depoimento à TV Paraíba, Dionísia Pereira, prima da vítima, revelou que Maria do Socorro sofria de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa, e estava acamada em sua casa.

Em nota oficial, a Cagepa, empresa responsável pela manutenção do reservatório, expressou profundo pesar pelo acidente e manifestou solidariedade à família da vítima. Paralelamente, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) iniciou sua própria investigação para aprofundar a apuração dos fatos e determinar eventuais responsabilidades.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072