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A jovem que ajudou a expor a Chacina de Pioz relembrou o impacto de receber, aos 17 anos, registros brutais do assassinato de uma família paraibana na Espanha. Em 2016, o material com conversas entre o autor do crime e um colega chegou ao celular de Jordana Machado, mudando sua trajetória e fornecendo provas cruciais para as autoridades policiais.
As vítimas foram Marcos Campos Nogueira, sua esposa Janaína Santos Américo e os dois filhos pequenos do casal. Eles moravam na cidade de Pioz e foram mortos por François Patrick Nogueira Gouveia, sobrinho de Marcos. Enquanto o autor recebeu pena de prisão perpétua na Espanha, o processo no Brasil continua em andamento contra Marvin Henriques Correia, acusado de coparticipação por trocar mensagens durante os assassinatos.
A amizade de escola e a revelação
Antes da tragédia, Jordana, Patrick e Marvin frequentavam o mesmo círculo de amizade em uma escola particular de João Pessoa. O vínculo foi rompido quando circulares com notícias sobre o crime começaram a circular e ela recebeu imagens dos corpos e diálogos comprometedores enviados por um conhecido do grupo.
Nas conversas trocadas em tempo real, Patrick detalhava os homicídios enquanto aguardava a chegada do tio, enquanto Marvin dava orientações sobre como apagar vestígios. A gravidade do conteúdo gerou um estado de choque profundo na adolescente, que passou semanas sem conseguir frequentar as aulas ou retomar sua rotina normal.
A decisão de denunciar e o medo de represálias
Temendo por sua segurança e preocupada com possíveis retaliações, Jordana demorou a processar a situação. A denúncia formal só aconteceu quando ela conseguiu repassar um pendrive com as provas para a Polícia Federal, por meio de contatos pessoais, exatamente no período em que Patrick fugia para a Europa.
Mesmo após a repercussão internacional, a jovem relatou ter enfrentado isolamento social, ameaças de colegas que defendiam os investigados e episódios de forte paranoia. O caso, que completou dez anos, segue marcando os desdobramentos judiciais no Brasil e na Justiça internacional.
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