A combinação entre negligência estrutural e ausência de fiscalização tem transformado rodovias estaduais e federais no Sertão da Paraíba em verdadeiros corredores de risco. Nas regiões do Vale do Piancó e do Vale do Rio do Peixe, especialmente no entorno de Cajazeiras, a recorrência de acidentes envolvendo animais soltos expõe uma falha sistêmica que vai além de casos isolados e revela um problema de gestão pública.

Durante o período de inverno, o cenário se agrava. Proprietários de animais de pequeno e grande porte, aproveitando a vegetação mais abundante, permitem que esses circulem livremente pelas rodovias. A consequência direta é o aumento expressivo de acidentes, muitos deles com danos materiais e risco à vida de motoristas, ciclistas e pedestres.

Paralelamente, as condições físicas das estradas seguem deterioradas. Buracos se multiplicam ao longo das vias, enquanto acostamentos inexistentes ou em estado crítico comprometem qualquer tentativa de mobilidade segura fora dos veículos. Para ciclistas e pedestres, a situação é praticamente inviável, criando um ambiente de vulnerabilidade permanente.

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Nos bastidores do poder, um fator ainda mais preocupante começa a circular: a possibilidade de fechamento de unidades operacionais do Departamento de Estradas de Rodagem da Paraíba (DER-PB) nas regiões de Cajazeiras e Itaporanga. A justificativa seria a falta de servidores públicos suficientes para manter as estruturas em funcionamento.

A eventual desativação dessas unidades representa não apenas um recuo administrativo, mas um agravamento direto da crise de infraestrutura que já atinge o Sertão paraibano.

A leitura estratégica dentro da Política da Paraíba indica que o problema ultrapassa a esfera técnica e entra no campo da prioridade política. A manutenção de rodovias, fiscalização de animais soltos e garantia de segurança viária dependem de articulação entre Estado, municípios e órgãos de controle — algo que, até o momento, não tem se materializado de forma eficaz.

No contexto dos Bastidores do Poder, a situação também pode gerar desgaste político regional, especialmente em áreas onde a população já demonstra insatisfação com serviços básicos. A precariedade das estradas, somada à sensação de abandono institucional, tende a se tornar pauta recorrente no debate público e eleitoral.

A crise nas rodovias do Sertão, portanto, não é apenas uma questão de infraestrutura. Trata-se de um indicador claro de falhas na gestão, na fiscalização e na capacidade de resposta do poder público diante de problemas que, apesar de antigos, seguem sem solução concreta.  

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072.